sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ser pai é... (1)

...não ter a menor idéia do que é ser pai

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Balaio de Gatos

Nós não poderíamos deixar de colocar este suspense para dar uma notícia destas. Todos os casais recém casados sabem como isso funciona. Nós perdemos o direito de ter uma novidade que invariavelmente as pessoas já ligam isso à uma gravidez. Estamos casados há 8 anos e já passamos por várias situações dessas.

Temos novidades: grávidos? Não! Estamos nos mudando para São Paulo.
Temos novidades: grávidos? Não! Iremos passar o natal em Brasília.
Temos novidades: grávidos? Não! Estamos nos mudando para o Canadá.
Temos novidades: grávidos? Não! Compramos ingresso para o Cirque Du Soleil

Isso sempre gerava um pouquinho de frustração não somente para quem respondia, mas para nós também.

Porém, finamente para a alegria de todos aqueles que aguardavam ansiosamente por este grande momento (a lista é grande!) podemos dizer que todos estão certos nas suas respostas: Estamos grávidos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Finalmente conhecemos a segunda linha vermelha. Ela já era quase uma lenda após diversas tentativas.

Claro que a notícia não será tão simples assim. Teremos que contar toda a história que passamos até chegar aqui e quais foram as lutas vencidas e perdidas, alegrias e tristezas, e muitas outras informações que descobrimos ser tão mais comuns do que imaginávamos. Para quem não sabe, tivemos que passar por uma ajudinha para conseguir este grande presente. Assim, gostaríamos de compartilhar os caminhos percorridos para poder auxiliar aqueles que precisarem deste apoio aqui no Canadá.

Paralelamente irei lançar a série de posts “Ser pai é...” para demonstrar o que um (como dizem os baianos aqui no Canda) “Pai Fresco” enfrenta no decorrer desta caminhada. Com certeza estamos entrando numa nova fase e isso nos permite uma nova oportunidade para realizar descobertas. Estamos muito eufóricos e tenho certeza que conseguiremos compartilhar estes momentos com todos aqueles que estão perto de nós, mesmo quando fisicamente distantes.

Se ficarmos muito chatos com o assunto, favor escrevam comentários nos avisando, pois estamos completamente abobalhados. Vocês irão entender o porquê.

Haagen Dazs de morango já rolou. Quantos mais tomaremos este ano?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Temos uma novidade!

Como diria o Mução: "Eu num sei si diiiiiiiiigo"

"Digo?"

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bicho Papão ou Papai Noel? (2)

Estamos de volta para o segundo post sobre a realidade, dentro de nossa visão, do temeroso e assombroso bicho papão que assola a todos aqueles que um dia pensaram, ou estão pensando, em se mudar para o Canadá. Esta é a grande arma para os “Urubussecandus” que usam o poder da ignorância, inclusive nossa, em relação a este assunto para gerar, ou tentar gerar, medo e incerteza. Como somos pessoas que não nos deixamos influenciar por qualquer bobeira, ignoramos estas investidas e metemos a cara o gelo, no bom sentido, é claro!

Continuando nossa aventura, passamos pelo final do inverno com a “ameaça” de que quando passássemos pela estação inteira mudaríamos de opinião (vide post anterior para saber qual era). Veio a primavera e pudemos ver uma severa mudança no ambiente. Verificamos a incrível capacidade da natureza de ressurgir da geladeira numa hibernação perfeita, onde as folhas caídas do outono, cobertas por um lençol de gelo, servem como combustível para o renascimento de todas as espécies. Durante o inverno parece que isso não será possível, mas essa foi mais uma das diversas surpresas que tivemos a oportunidade de presenciar. Ao surgimento dos primeiros raios solares sobre a vegetação descoberta, começa a colorida corrida em direção ao estado de reprodução que embeleza o ambiente. Os aromas mais agradáveis nos fazem sentir como novos e com disposição para encarar qualquer sacrifício. Aliás, uma dica importante é guardar isso consigo, pois a “sacrificante” maratona de churrascos, passeios ao ar livre, gincanas, visitas aos diversos parques de diversões (Wonderland, Marineland, Safari, Zoo), passeios ciclísticos, mais churrascos, feriados, convites para passeios de lanchas, visitas a parques, lagos, churrasco e tantas outras atividades, incluindo churrascos, adentram o verão com uma energia contagiante.

Os canadenses despertam junto com a temporada primavera/verão. Parecem outras pessoas, todos festeiros, aproveitam cada segundinho de temperatura agradável como se fossem dádivas. Porém, seremos sinceros ao dizer que sentíamos um certo exagero com estas reações. Nós, brasileiros, sangue quente, já sabíamos os benefícios de viver neste tipo de ambiente de temperatura agradável e não víamos qualquer novidade naquilo tudo. Chegamos a pegar temperaturas de 39oC e na verdade as novidades foram ter sol até 9PM e trabalho até às 5PM (essa a maior delas!). No verão, então, quando há uma sexta feira com um feriado na segunda seguinte (situação que ocorre várias vezes) as empresa tratam de liberar todo mundo às 2PM para aproveitarem o longo final de semana com seus entes queridos. Isso é levado muito a sério aqui! Você consegue ver grupos de 20 a 30 pessoas correndo pelas ruas, andando de bicicletas nos parques, correndo com cachorros, motos rasgando os motores com seus pilotos cujos sorrisos conseguimos vizualizar mesmo através dos capacetes e, uma coisa que ainda não citei, grupos e grupos de churrascos em todas as línguas. Resumindo, tivemos mais um, de tantos outros, verões agradabilíssimos de nossas vidas.

Durante o outono, além das mais belas visões, veio também uma sensação estranha que era um mix de ansiedade e receio. Cada vez que a temperatura diminuia, ficávamos mais e mais ansiosos para saber se a neve apareceria. Esquisito, pois antes a neve era exatamente o que todos diziam ser o grande problema do país, o grande medo, o maior argumento negativo. Assim, o receio ainda permanecia em nossa imaginação. Queríamos experimentar a nova sensação, mas não tínhamos noção das consequências, como reagiríamos, como encararíamos ao lado negativo desta realidade. Nesta hora que nos sentíamos como se estivéssemos esperando papai noel, onde todos sabem a “realidade” enquanto nós aguardávamos eufóricos pelo grande dia de sua visita. A ansiedade era maior e estávamos realmente apreensivos para ver uma nevasca. Chegamos a ficar radiantes com poucos flurries de final de tarde. Saímos correndo para filmá-los e ficamos igual pintos no lixo ao ver quase imperceptíveis floquinhos caindo em nossas roupas.

Finalmente em dezembro chegou a tão aguardada nevasca. A Nanade havia acabado de chegar do Brasil com meus pais, também ansiosos para ver a neve, no dia 16 e as ruas não apresentavam qualquer sinal de gelo. Porém, o dia seguinte reservava, com direito a "Severe Weather Alert" e tudo, onde há a recomendação para que as pessoas não saiam de casa, o tão aguardado fenômeno da natureza. A foto atual do blog foi tirada neste dia. Acreditem, aquela quantidade de neve caiu num só dia.

Este post foi curto apenas para chegarmos no assunto principal. O inverno! Prometo que o próximo sairá ainda em março e descreverá como lidamos com esta estação, quais as dicas, as surpresas, as decepções, as descobertas, as aventuras e muito mais.

Lembrando que o inverno acabou oficialmente no dia 20 de março, ultima sexta feira, à 7h e alguns minutos da manhã (eu acho! Sou péssimo, e preguiçoso o suficiente, para ficar pesquisando estas informações). Agora é começar o ciclo novamente! Com qual espírito? Hummmm, essa vocês terão que aguardar o próximo post.

domingo, 15 de março de 2009

Atualização - 1 ano de Canadá

Recebemos diversos feedbacks sobre o nosso vídeo comemorativo e percebemos que conseguimos alcançar nossos objetivos que eram:
  • Demonstrar para a nossa família que a vida está estabilizada e que eles podem ficar tranquilos
  • Demonstrar para aqueles que estão para vir para o Canadá que a vida aqui não é fácil, principalmete no início, mas que o país oferece todas as ferrametas necessárias para o sucesso. Acima de tudo, devemos encarar essa fase com bom humor, pois, repito, não é fácil!
  • Compartilhar com as pessoas que já estão aqui esta história repetida. Ouvimos de várias pessoas que nosso vídeo as fizeram retornar aos seus períodos iniciais e as emoções vividas em suas despedidas, chegadas e conquistas. Isso muito gratificante.

Diante disso tudo resolvemos melhorar um pouco o vídeo e inserir a versão 1.1.

Obrigado a todos pelos feedbacks.

quinta-feira, 12 de março de 2009

1 ANO DE CANADÁ - 12 de março 2009

UAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUU.

Parece que chegamos ontem! 1 ano..... 1 ANO!!!

Quando chegamos aqui e víamos as pessas falando que estavam há um ano, parecia que era uma coisa muito distante, outra geração. Porém, este ano passou como um foguete, simplesmente não sentimos o tempo passar. Com certeza isso significa que este período foi excelente. Nós não falaremos muito, pois juntamos um pouco do que fizemos neste ano e colocamos num video. Confesso que nos emocionamos ao reviver os momentos alegres, como também as dificuldades iniciais.

Sempre que nos imaginamos velhinhos pensamos que queremos olhar pra trás e nos orgulhar do que fizemos. Acredito que podemos dizer que este ano entrará para a história.

Fiquem com os highlights de "Nanade e Lú no Canada". Espero que o aproveitem tanto quanto aproveitamos.
(Deixa eu dar os créditos antes que eu apanhe em casa. A trilha sonora foi responsabilidade da Nanade)


Vídeo foi retirado, pois uma atualização foi inserida acima.

Acredito que o próximo passo seja conseguir nosso passaporte canadense, mas ainda serão mais dois anos de luta. Vamos que vamos!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Papai Noel ou Bicho Papão? (1)

Resolvemos escrever vários posts sobre o tão temido inverno. Queremos passar uma boa idéia do que esperar, como se preparar, quais os mitos, as verdades, resumindo. Será que o frio é algo proibitivo? Começamos escrevendo um post apenas, mas vimos que há muito coisa a dizer e a leitura ficaria cansativa. Então, inicia-se a série Bicho Papão ou papai noel. Vamos que vamos.

O inverno é o grande assunto a ser discutido por aqueles que estão no caminho das terras do norte, o grande medo, o maior argumento negativo contra a troca de país. Quem nunca ouviu aquele irritante comentário às suas "boas novas": "Canadá? Lá é frio!"? Ou então aqueles outros mais enfáticos proferidos por pessoas com uma extensa experiência de ter passado 3 dias na “gélida” Gramado: "vocês não sabem o que é frio! Quero ver quando ele chegar, vocês voltarão em 3 segundos". Estas respostas nos influenciam, mas nada que tire nosso sono. Afinal, sabemos que é uma condição que não podemos mudar. Aliás, vamos além disso, sabemos que existe o frio e apesar dele escolhemos o Canadá como nosso novo rumo. Porém, realisticamente, quão ruim é esse monstro?

Antes de mais nada gostaríamos de contar um pouco nossas experiências passadas para contextualizar nossa relação com o “frio”. Tudo que colocarmos aqui será resultado de nossas experiências e provavelmente terão pessoas que não concordarão com algumas visões, assim acredito que seja importante apresentarmos estas situações.

Lembro quando morava no Rio de Janeiro, estudava no Colégio Militar e o horário extremamente rígido nos fazia acordar 5 da manhã para estar em forma às 7:00h. Os meses de “frio” nos presenteava com a possibilidade de soltar fumaça pela boca. Aquela brincadeira só era possível em poucos dias por ano e olhe lá. Tinhamos que soltar um bafão para sair uma fumacinha de nada, mas era suficiente para nos divertir. Lembro a primeira vez que vi 18oC de temperatura. Aquele era o sinal que deveríamos nos agasalhar, mas ao mesmo tempo víamos diversas pessoas entrando no bondinho do Pão de Açucar apenas com camiseta. Pessoas brancas que só podiam ser da Finlândia ou algum lugar muuuuuuito frio para conseguir se vestir daquele jeito naquela temperatura. Esses foram dias felizes da minha infância, então ficou marcado que frio também tinha um lado divertido, naquele época traduzido como uma mera brincadeirinha de soltar fumaça pela boca.

Mais histórias prévias de frio. Há um certo momento do nosso relacionamento os pais da Nanade se mudaram para Três Corações. Quem conhece sabe que o inverno por lá não é brincadeira, as temperaturas chegam a absurdos 3 graus durante a madrugada e algumas vezes chega até a gear nas noites mais frias. Porém, como eu morava em Brasília, o frio significava que eu iria encontrar o meu amorzinho. Tudo que envolvia aquela viagem, que durava 3 ou 4 dias de 40 em 40 dias (ou mais), eram apenas condimentos que misturados da maneira correta me serviam o melhor dos alimentos, a renovação da esperança, a recarga emocional, o combustível necessário para eu enfrentar mais 40 dias sem usufruir de perto deste sentimento que a cada dia crescia e que hoje é a base da nossa convivência: o amor.

Outra situação em nossas vidas. Logo após nos casarmos fui realizar um projeto em Porto Alegre e fiquei na cidade por 2 meses seguidos. Ao final do projeto combinamos que a Nanade iria me encontrar para que conhecêssemos Gramado. O vôo dela estava marcado para chegar às 18h. Assim, comprei a passagem de ônibus para gramado às 6h da manhã do dia seguinte. Iríamos passar somente dois dias por lá, então era melhor aproveitar tudo que podíamos. A Nanade estava experimentando um dos primeiros vôos da Gol e logicamente o mesmo chegou muito atrasado, por volta da meia noite. Rapidamente resolvemos que iríamos remarcar nossa ida para Gramado para às 9h para que a Nanade pudesse ter o mínimo de descanso. Assim fizemos e qual não foi nossa decepção ao chegar em Gramado e descobrir que havia nevado até as 8 da manhã e a chuva havia varrido toda a neve da cidade. Passamos o tempo inteiro procurando nem que fosse um bolinha de neve, mas nada conseguimos. Houve uma promessa que nevaria na noite que chegamos, mas ficamos a ver navios, ou melhor, foundue apenas. A viagem ficou um pouco mais triste, ficamos com aquele sentimento que alguma coisa estava faltando.

Tudo isso fez com que a neve fosse uma atração para nós e não um incômodo. Porém, nunca havíamos vivido esta realidade, então como seria? Resolvemos vir para o Canadá enfrentando logo o pior período, o maior pesadelo. Por mais que não tenhamos enfrentado os piores meses, o frio de março era suficiente para nos mostrar que teríamos que nos acostumar com um mundo diferente. Quando chegamos estava frio e o enfrentamos da pior maneira possível. Tínhamos apenas roupas do frio brasileiro, sem emprego, sem carro e uma enorme necessidade de estar no meio da rua por diversos motivos, mas como podem ver o frio não era a maior de nossas preocupações ele passou despercebido. Aliás, muito pelo contrário, ele foi uma variável que nos fazia nos sentir importantes, pois sempre havia um assunto relacionado a isso para compartilharmos com família e amigos. Toda vez que comentávamos que de certa forma gostávamos no frio, talvez por ser uma situação diferente, ouvíamos: “esperem até passar o inverno inteiro, só depois voce podem dizer”. Ok, sabemos que temos que vivenciar tudo para poder avaliar as desvantagens.

Próximo post falará sobre conceitos de frio. Como entender o que ouvimos na TV. Como interpretar o Weather channel.