quarta-feira, 25 de março de 2009
Bicho Papão ou Papai Noel? (2)
Continuando nossa aventura, passamos pelo final do inverno com a “ameaça” de que quando passássemos pela estação inteira mudaríamos de opinião (vide post anterior para saber qual era). Veio a primavera e pudemos ver uma severa mudança no ambiente. Verificamos a incrível capacidade da natureza de ressurgir da geladeira numa hibernação perfeita, onde as folhas caídas do outono, cobertas por um lençol de gelo, servem como combustível para o renascimento de todas as espécies. Durante o inverno parece que isso não será possível, mas essa foi mais uma das diversas surpresas que tivemos a oportunidade de presenciar. Ao surgimento dos primeiros raios solares sobre a vegetação descoberta, começa a colorida corrida em direção ao estado de reprodução que embeleza o ambiente. Os aromas mais agradáveis nos fazem sentir como novos e com disposição para encarar qualquer sacrifício. Aliás, uma dica importante é guardar isso consigo, pois a “sacrificante” maratona de churrascos, passeios ao ar livre, gincanas, visitas aos diversos parques de diversões (Wonderland, Marineland, Safari, Zoo), passeios ciclísticos, mais churrascos, feriados, convites para passeios de lanchas, visitas a parques, lagos, churrasco e tantas outras atividades, incluindo churrascos, adentram o verão com uma energia contagiante.
Os canadenses despertam junto com a temporada primavera/verão. Parecem outras pessoas, todos festeiros, aproveitam cada segundinho de temperatura agradável como se fossem dádivas. Porém, seremos sinceros ao dizer que sentíamos um certo exagero com estas reações. Nós, brasileiros, sangue quente, já sabíamos os benefícios de viver neste tipo de ambiente de temperatura agradável e não víamos qualquer novidade naquilo tudo. Chegamos a pegar temperaturas de 39oC e na verdade as novidades foram ter sol até 9PM e trabalho até às 5PM (essa a maior delas!). No verão, então, quando há uma sexta feira com um feriado na segunda seguinte (situação que ocorre várias vezes) as empresa tratam de liberar todo mundo às 2PM para aproveitarem o longo final de semana com seus entes queridos. Isso é levado muito a sério aqui! Você consegue ver grupos de 20 a 30 pessoas correndo pelas ruas, andando de bicicletas nos parques, correndo com cachorros, motos rasgando os motores com seus pilotos cujos sorrisos conseguimos vizualizar mesmo através dos capacetes e, uma coisa que ainda não citei, grupos e grupos de churrascos em todas as línguas. Resumindo, tivemos mais um, de tantos outros, verões agradabilíssimos de nossas vidas.
Durante o outono, além das mais belas visões, veio também uma sensação estranha que era um mix de ansiedade e receio. Cada vez que a temperatura diminuia, ficávamos mais e mais ansiosos para saber se a neve apareceria. Esquisito, pois antes a neve era exatamente o que todos diziam ser o grande problema do país, o grande medo, o maior argumento negativo. Assim, o receio ainda permanecia em nossa imaginação. Queríamos experimentar a nova sensação, mas não tínhamos noção das consequências, como reagiríamos, como encararíamos ao lado negativo desta realidade. Nesta hora que nos sentíamos como se estivéssemos esperando papai noel, onde todos sabem a “realidade” enquanto nós aguardávamos eufóricos pelo grande dia de sua visita. A ansiedade era maior e estávamos realmente apreensivos para ver uma nevasca. Chegamos a ficar radiantes com poucos flurries de final de tarde. Saímos correndo para filmá-los e ficamos igual pintos no lixo ao ver quase imperceptíveis floquinhos caindo em nossas roupas.
Finalmente em dezembro chegou a tão aguardada nevasca. A Nanade havia acabado de chegar do Brasil com meus pais, também ansiosos para ver a neve, no dia 16 e as ruas não apresentavam qualquer sinal de gelo. Porém, o dia seguinte reservava, com direito a "Severe Weather Alert" e tudo, onde há a recomendação para que as pessoas não saiam de casa, o tão aguardado fenômeno da natureza. A foto atual do blog foi tirada neste dia. Acreditem, aquela quantidade de neve caiu num só dia.
Este post foi curto apenas para chegarmos no assunto principal. O inverno! Prometo que o próximo sairá ainda em março e descreverá como lidamos com esta estação, quais as dicas, as surpresas, as decepções, as descobertas, as aventuras e muito mais.
Lembrando que o inverno acabou oficialmente no dia 20 de março, ultima sexta feira, à 7h e alguns minutos da manhã (eu acho! Sou péssimo, e preguiçoso o suficiente, para ficar pesquisando estas informações). Agora é começar o ciclo novamente! Com qual espírito? Hummmm, essa vocês terão que aguardar o próximo post.
domingo, 15 de março de 2009
Atualização - 1 ano de Canadá
- Demonstrar para a nossa família que a vida está estabilizada e que eles podem ficar tranquilos
- Demonstrar para aqueles que estão para vir para o Canadá que a vida aqui não é fácil, principalmete no início, mas que o país oferece todas as ferrametas necessárias para o sucesso. Acima de tudo, devemos encarar essa fase com bom humor, pois, repito, não é fácil!
- Compartilhar com as pessoas que já estão aqui esta história repetida. Ouvimos de várias pessoas que nosso vídeo as fizeram retornar aos seus períodos iniciais e as emoções vividas em suas despedidas, chegadas e conquistas. Isso muito gratificante.
Diante disso tudo resolvemos melhorar um pouco o vídeo e inserir a versão 1.1.
Obrigado a todos pelos feedbacks.
quinta-feira, 12 de março de 2009
1 ANO DE CANADÁ - 12 de março 2009
Parece que chegamos ontem! 1 ano..... 1 ANO!!!
Quando chegamos aqui e víamos as pessas falando que estavam há um ano, parecia que era uma coisa muito distante, outra geração. Porém, este ano passou como um foguete, simplesmente não sentimos o tempo passar. Com certeza isso significa que este período foi excelente. Nós não falaremos muito, pois juntamos um pouco do que fizemos neste ano e colocamos num video. Confesso que nos emocionamos ao reviver os momentos alegres, como também as dificuldades iniciais.
Sempre que nos imaginamos velhinhos pensamos que queremos olhar pra trás e nos orgulhar do que fizemos. Acredito que podemos dizer que este ano entrará para a história.
Fiquem com os highlights de "Nanade e Lú no Canada". Espero que o aproveitem tanto quanto aproveitamos.
(Deixa eu dar os créditos antes que eu apanhe em casa. A trilha sonora foi responsabilidade da Nanade)
Acredito que o próximo passo seja conseguir nosso passaporte canadense, mas ainda serão mais dois anos de luta. Vamos que vamos!!!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Papai Noel ou Bicho Papão? (1)
O inverno é o grande assunto a ser discutido por aqueles que estão no caminho das terras do norte, o grande medo, o maior argumento negativo contra a troca de país. Quem nunca ouviu aquele irritante comentário às suas "boas novas": "Canadá? Lá é frio!"? Ou então aqueles outros mais enfáticos proferidos por pessoas com uma extensa experiência de ter passado 3 dias na “gélida” Gramado: "vocês não sabem o que é frio! Quero ver quando ele chegar, vocês voltarão em 3 segundos". Estas respostas nos influenciam, mas nada que tire nosso sono. Afinal, sabemos que é uma condição que não podemos mudar. Aliás, vamos além disso, sabemos que existe o frio e apesar dele escolhemos o Canadá como nosso novo rumo. Porém, realisticamente, quão ruim é esse monstro?
Antes de mais nada gostaríamos de contar um pouco nossas experiências passadas para contextualizar nossa relação com o “frio”. Tudo que colocarmos aqui será resultado de nossas experiências e provavelmente terão pessoas que não concordarão com algumas visões, assim acredito que seja importante apresentarmos estas situações.
Lembro quando morava no Rio de Janeiro, estudava no Colégio Militar e o horário extremamente rígido nos fazia acordar 5 da manhã para estar em forma às 7:00h. Os meses de “frio” nos presenteava com a possibilidade de soltar fumaça pela boca. Aquela brincadeira só era possível em poucos dias por ano e olhe lá. Tinhamos que soltar um bafão para sair uma fumacinha de nada, mas era suficiente para nos divertir. Lembro a primeira vez que vi 18oC de temperatura. Aquele era o sinal que deveríamos nos agasalhar, mas ao mesmo tempo víamos diversas pessoas entrando no bondinho do Pão de Açucar apenas com camiseta. Pessoas brancas que só podiam ser da Finlândia ou algum lugar muuuuuuito frio para conseguir se vestir daquele jeito naquela temperatura. Esses foram dias felizes da minha infância, então ficou marcado que frio também tinha um lado divertido, naquele época traduzido como uma mera brincadeirinha de soltar fumaça pela boca.
Mais histórias prévias de frio. Há um certo momento do nosso relacionamento os pais da Nanade se mudaram para Três Corações. Quem conhece sabe que o inverno por lá não é brincadeira, as temperaturas chegam a absurdos 3 graus durante a madrugada e algumas vezes chega até a gear nas noites mais frias. Porém, como eu morava em Brasília, o frio significava que eu iria encontrar o meu amorzinho. Tudo que envolvia aquela viagem, que durava 3 ou 4 dias de 40 em 40 dias (ou mais), eram apenas condimentos que misturados da maneira correta me serviam o melhor dos alimentos, a renovação da esperança, a recarga emocional, o combustível necessário para eu enfrentar mais 40 dias sem usufruir de perto deste sentimento que a cada dia crescia e que hoje é a base da nossa convivência: o amor.
Outra situação em nossas vidas. Logo após nos casarmos fui realizar um projeto em Porto Alegre e fiquei na cidade por 2 meses seguidos. Ao final do projeto combinamos que a Nanade iria me encontrar para que conhecêssemos Gramado. O vôo dela estava marcado para chegar às 18h. Assim, comprei a passagem de ônibus para gramado às 6h da manhã do dia seguinte. Iríamos passar somente dois dias por lá, então era melhor aproveitar tudo que podíamos. A Nanade estava experimentando um dos primeiros vôos da Gol e logicamente o mesmo chegou muito atrasado, por volta da meia noite. Rapidamente resolvemos que iríamos remarcar nossa ida para Gramado para às 9h para que a Nanade pudesse ter o mínimo de descanso. Assim fizemos e qual não foi nossa decepção ao chegar em Gramado e descobrir que havia nevado até as 8 da manhã e a chuva havia varrido toda a neve da cidade. Passamos o tempo inteiro procurando nem que fosse um bolinha de neve, mas nada conseguimos. Houve uma promessa que nevaria na noite que chegamos, mas ficamos a ver navios, ou melhor, foundue apenas. A viagem ficou um pouco mais triste, ficamos com aquele sentimento que alguma coisa estava faltando.
Tudo isso fez com que a neve fosse uma atração para nós e não um incômodo. Porém, nunca havíamos vivido esta realidade, então como seria? Resolvemos vir para o Canadá enfrentando logo o pior período, o maior pesadelo. Por mais que não tenhamos enfrentado os piores meses, o frio de março era suficiente para nos mostrar que teríamos que nos acostumar com um mundo diferente. Quando chegamos estava frio e o enfrentamos da pior maneira possível. Tínhamos apenas roupas do frio brasileiro, sem emprego, sem carro e uma enorme necessidade de estar no meio da rua por diversos motivos, mas como podem ver o frio não era a maior de nossas preocupações ele passou despercebido. Aliás, muito pelo contrário, ele foi uma variável que nos fazia nos sentir importantes, pois sempre havia um assunto relacionado a isso para compartilharmos com família e amigos. Toda vez que comentávamos que de certa forma gostávamos no frio, talvez por ser uma situação diferente, ouvíamos: “esperem até passar o inverno inteiro, só depois voce podem dizer”. Ok, sabemos que temos que vivenciar tudo para poder avaliar as desvantagens.
Próximo post falará sobre conceitos de frio. Como entender o que ouvimos na TV. Como interpretar o Weather channel.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Winterlicious
Aliás, o evento de inverno também passaria em branco caso o Flávio não nos concedesse uma das vagas concorridíssimas de sua reserva no restaurante da CN Tower. Quando fez o convite ele reforçou que não seria aquele restaurante mais alto nível (360o), seria “apenas” o, literalmente, alto nível. O que nos interessou no convite foi o nível das pessoas e não do restaurante. Provamos isso ao nos aventurarmos num “excelente” restaurante chinês na semana que passou por referência de nossa amiga Jack, mas isso merece um outro post. Em ambos, tudo correu maravilhosamente bem, pois estávamos cercados por pessoas agradáveis.
Chegamos à CN Tower e a reserva não estava lá. O Flávio teve que falar grosso e demonstrar todo o poder de persuasão do futuro prefeito de Mississauga. Depois de 5 minutos já estávamos passando pelo sistema de segurança. Pausa para pergunta sobre o funcionamento daquela parafernália. Alguém conhece alguma explicação plausível para levarmos diversos sopros pelo corpo para detecção de algo? Além disso, por que o primeiro é sempre no rosto? Se o processo começasse de baixo para cima estaríamos mais preparados, mas invariavelmente as pessoas levam um tremendo susto com a primeira lufada. Minha teoria é que os guardinhas querem ver se as pessoas estão escondendo algo na boca, ou se são frutas. A teoria da Nanade é que eles querem só rir dos outros mesmo.
Assim como toda a cidade de Toronto, onde temos 4 visões diferentes dos mesmos locais, a CN Tower proporciona uma sensação diferente ao visitarmos em horários e temporadas distintas. Durante a noite o ambiente fica mais sofisticado devido o jogo de luzes que o decoram. Pegar o elevador e acompanhar a subida das coloridas fontes de iluminação que dão um enfeite especial ao símbolo da cidade já seria suficiente para decretar que a noite vale a pena, mas estávamos apenas no início.
O restaurante fica no andar onde passamos quando visitamos a torre, mas o ambiente é totalmente modificado. Há uma entrada específica como se fosse um restaurante totalmente segregado do resto do andar. A iluminação mais uma vez é o segredo da mudança. A distribuição de luzes fracas dá um toque de restaurante 5 estrelas, como se fosse totalmente mantido à luz de velas. A visão externa......... uma foto para ilustrar. Uma imagem vale mais do que 1000 palavras.
Obrigado pelo convite meus amigos!
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Baile de Debutante
Há 15 anos conhecia uma menina, literalmente falando. Caçula de uma família de 332 filhos, obviamente super protegida e o centro das atenções que tinha tudo para ser insuportavelmente mimada. Este foi o ponto inicial! Apesar da aparência frágil, a atitude para encarar a vida sempre se mostrava bastante corajosa e, acima de tudo, doce. Aliás, o grande maravilhoso erro que cometi foi provar esta sensação através de um despretensioso beijo! “Pra” que?! Não consegui mais largar da fonte.
A partir daquele dia passamos a amadurecer juntos, descobrir o mundo compartilhando experiências foi o que sucedeu em nossas vidas. Conhecemos os fascínios, as belezas, as dúvidas, as dificuldades. Entramos em nossa vida adulta nos apoiando em nosso espírito de aventura e cheio de incertezas. Colhemos constantemente os resultados. Cada dia conseguimos escrever um livro, cada conquista, um filme, cada vitória, uma história, cada derrota, uma lição. Onde chegaremos? Não nos preocupamos! Desde que possamos seguir experimentando a vida desta forma.
em teoria ausência de Luz, na prática capaz de absorver todas as outras. Em teoria mistura de todas as cores, na prática um convite para criação de novas possibilidades.
Obrigado, Namore!
Aproveito para agradecer aos meus pais por ter nos proporcionado a possibilidade de comemorar o baile de debutante do nosso relacionamento como todo adolescente brasileiro. Segue uma foto da camisa comemorativa.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Lista de Programas de Índio
- Reveillon em Copacabana
Cenário paradisíaco de praia com o Rio de Janeiro como pano de fundo, fogos de artifício de tirar o fôlego. A qualidade do espetáculo é indiscutível. Passamos o reveillon no Forte de Copacabana com uma visão frontal de Copacabana, a mesma dos diversos transatlânticos ancorados. A companhia era excelente e a comida ídem. Porém, vamos à realidade...
Devido à organização do evento tivemos que parar o carro no Rio Sul. Quem conhece sabe que o shopping fica no extremo oposto do forte. O passeio de ida é maravilhoso, aproveitamos bastante a (falta de) organização, uma "fauna" variada e aquele velho olhar para trás para ver se havia alguém nos seguindo. Ainda estávamos no começo da noite, descansados e empolgados com a oportunidade de vivenciar um dos reveillons mais bonitos do mundo, portanto tudo ainda era festa. A noite foi ótima! Estávamos na companhia, além de grandes amigos, de nada menos do que o Vice Presidente da República. Começa o show, os fogos são lindos nos 3 primeiros minutos, depois o pescoço já começa a reclamar mais do que a emoção vislumbrada pelos olhos. O espetáculo começa a ficar mais e mais desinteressante e a vontade de ir para casa aumenta e aumenta. Neste momento começa o calvário. Pegar ônubis para atravessar copacabana, impossível! Táxis só querem pegar pessoas que vão para a Barra da Tijuca. Aliás, parêntesis neste aspecto para enfatizar este assunto. O Rio de Janeiro é o único lugar do mundo onde os taxistas se sentem no direito de escolher as pessoas que querem levar de acordo com o destino. Enfatizando ainda mais, os taxistas do Rio de Janeiro deviam entrar no livro dos recordes como os piores do mundo. Voltando à nossa saga, só nos restou voltar andando para o Rio Sul. Como não dava para voltar andando pela orla, pois havia dois shows e aproximadamente 2 milhões de pessoas na praia, resolvemos voltar pela Nossa Senhora de Copacabana. Aquilo foi a visão do inferno. Durante 1 hora de caminhada o cheiro de urina, misturada com outras coisas piores, nos perseguiu. Pessoas gritando, passando mal, brigando com motoristas, penduradas nas portas dos ônibus, tentando "contratar namoradas", vomitando no meio da rua. Finalmente chegamos ao Rio Sul sem maiores problemas e prometemos que aquele evento entraria em nossa lista de programas de índio.
- Grande Prêmio de Fórmula 1
São Paulo, penúltima temporada do Michael Schumacker, toda a festa preparada para o maior vencedor de todos os tempos, apesar da temporada estar sendo dominada pelo Espanhol Fernando Alonso. Gostando ou não, devemos reverenciar o alemão. É possível sentir a diferença de sua técnica apenas pela forma que testa as curvas ao limite. O ronco do motor, o barulho das freadas, o cálculo das tangentes, a precisão da reaceleração. O clima de paixão pelo esporte é impressionante. Porém vamos à realidade...
O treino no sábado é uma degustação do que virá no domingo. Fui para o evento com um amigo experiente no assunto e comecei a me assustar quando ele disse que deveríamo fazer amizade com quem iria dormir na fila para poder pegarmos um lugar bom. Dormir na fila? Isso não estava nos meus planos! Então, exatamente por isso deveríamos fazer amizade com aqueles que dormiriam. Ok, vamos nessa. Nossa conversa com os "vizinhos" de arquibancada começava assim: e aí? Vocês vieram de que cidade? Vão dormir na fila? Se a resposta fosse não, já despachávamos os ex-futuros melhores amigos. Após 5 tentativas achamos nossas vítimas, gasp!, amigos. A primeira vez que um carro sai dos boxes durante o treino e acelera na reta é quase impossível não se emocionar. As rotações aceleram não somente o motor, mas também as batidas do coração. Sem viadisse, mas arrepia todos os cabelos do corpo. Acabando o treino fomos bancar os homeless. Montamos a barraca com nossos amigos e fizemos 4 horas de social com todos os vizinhos de "quarto". A idéia era que dia seguinte chegaríamos na fila e todas as pessoas em volta teriam certeza que estávamos lá na fila desde o dia anterior. Assim o fizemos, dormimos em casa e voltamos para a fila às 4:30h da manhã. Grande vantagem! Entramos na fila e tudo funcionou como planejado, algumas pessoas reclamaram, mas logo um grupo avisou que já estavamos lá desde cedo. Agora era só esperar até 7:30h para que os portões fossem abertos. Só! Acharam que isso era a pior parte. Bom, a corrida começa às 2:00h, eram 7:30h. Quem acompanha a Fórmula 1 sabe qual é o padrão do Grande Prêmio Brasil: etapa com chuva. E ela fez questão e aparecer logo às 8:00h. Curtimos a chuva por 2 horas até que chegou a hora dos ricos desfilarem suas Ferraris e Masseratis pelo autódromo. Dois mundos distintos, você ali ensopado e com frio e os caras preocupados em demonstrar a força do motor de seus brinquedos. Acontece, quem sabe um dia não trocamos de lugar. Nenhum recalque guardado, que venha a corrida. Mais 4 horas de espera, onde a única diversão é sacanear as pessoas que chegam tarde e tentam achar lugar nos melhores assentos da arquibancada, e chega a hora da largada. Volta de apresentação e a emoção e ansiedade começam a aumentar. Primeira volta, todos os carros chegando acelerados na curva no final da reta oposta e mais uma vez o arrepio geral. Pronto, depois disso dá vontade de mudar de canal, mas esta opção não estava disponível. Você começa a torcer para que haja um acidente sinistro e que as pessos saiam pegando fogo pelo meio da pista ou algo parecido. O barulho, que antes causava uma sensação extasiante, agora incomoda. As falhas do motor ainda geram a expectativa que tudo vai explodir, mas nada acontece. Espanhol ganha e é campeão. A saída do autódromo é uma loucura e 3 horas depois chego em casa prometendo que aquele evento entraria em nossa lista de programas de índio.
- Carnaval de Salvador
Bahia de todos os santos, clima de alegria contagiante, melhor carnaval do mundo. A companhia da família e graaaaandes amigos completavam o ambiente. Estávamos nos camarotes do Forte de São Pedro bem no início do Circuito Campo Grande que incluia a Praça Castro Alves. A proteção era total, chegávamos e saíamos escoltados e sem nos preocupar. Durante as manhãs usufruíamos das praias e as tardes e noites dos "desfiles" das maiores atrações da música bahiana. Porém, vamos à realidade...
Um dos amigos resolveu que queria sair pelo menos um dia dentro do bloco e é neste minuto que começa a aventura. Primeiro tivemos que ir ao Aeroclube para conseguir negociar e comprar os abadás. Como iríamos apenas um dia, então resolvemos ir em grande estilo. Após muita conversa e discussões, pagamos R$150.00 por abadá. O preço inicial era R$300.00, mas já era meio dia e o horário de início já havia passado. Corremos todos sujos de areia de praia para alcançarmos o bloco na avenida, pela primeira vez chegávamos ao centro da bagunça sem estar protegidos. Aquela "muvuca" sem tamanho, empurra-empurra para chegar até a "proteção" das cordas. Proteção? Dentro do bloco o aperto era maior ainda. O bloco Coruja, com Ivete Sangalo, é um dos mais famosos do carnaval, só perde para o Nana Banana, então além do aperto interno, a multidão externa, vulgo pipoca, apertavam mais ainda. Resumindo, baby steps do início ao fim. Mas não é ruim, estávamos ouvindo Ivete Sangalo ali pertinho, com cerveja à disposição (cara, mas a disposição) e os amigos em volta. O segredo é não largar a mão da esposa, caso contrário sempre chegará algum engraçadinho para "conversar". Já que estamos ali, vamos aproveitar. O Circuito tem 7Km de comprimento. Todo poste do trajeto tem um número. Perguntei para um dos amigos o que seriam aqueles números e o otário disse que era a metragem do circuito. Hummm, faz sentido! Os postes têm aproximadamente 10 m entre eles então quando chegarmos em 700 chegaremos ao final, excelente! Vamos pra frente. Cerveja, dança, segura mão da esposa, encontra amigos bêbados, música show de bola, lá vem a curva, abraça a esposa, cerveja (nós não bebemos, estou me referindo a amigos), dança, música legal, pula demais, emoção. Número no poste: 30. Vaaaamos nessa! Dança tapa na cara, cadê a cerveja, segura a mão da esposa, pula, encontra amigos, esse negócio já tá cansando, alguém tá com vontade de fazer xixi (obviamente), segura a esposa, cuidado com a latinha de cerveja voadora, alguém passa a mão na sua bunda, as mãos da esposa estão com você, espero que não enfiem o dedo, lá vem a curva. Número no poste: 60. Queria dizer não, mas já to começando a cansar. Mais música boa, alguém vomita por perto, desvia aíííí, vontade de fazer xixi incontrolável, se vira cumpadi, segura mão da esposa, olha o rio de mijo, pula, segura a esposa, mais amigos, bêbados fazendo xixi na latinhas, hummm eram essas que tavam voando? Mais cuidado com latinhas voadoras, elas estão recheadas, músicas já não são mais tão legais. Número no poste 80. Bicho, eu ja não aguento mais e ainda estamos a pouco mais de 10% desta brincadeira, você não pode estar falando sério!!!! [Amigo trêbado] Nada cara, eu tava só zoando! Vontade enorme de matar a figura, segura a mão da esposa, olha a curva. Finalmente a Ivete anunciou que havíamos chegado à praça Castro Alves e eu sabia que dali para frente seria a perna menor. Porém, não sabia que seria a pior. Os trios eléricos não podem parar no meio da ladeira e a pressão sobre todos é enorme. Vamos motorista, pessoal não podemos parar, corre mais, mais difícil segurar mão da esposa, segura os bêbados, não larga da mão da esposaaaaaaa... Resumindo a agonia 1 hora depois estávamos de volta ao forte aos pedaços, quase não conseguindo andar. Eu não sei como as pessoas conseguem encarar essa maratona diariamente e ainda por cima saem dali e entram no circuto Barra-Ondina. Aliás, sei sim! Muita birita! Chegamos em casa e prometemos que aquele evento entraria em nossa lista de programas de índio. Aliás, a Nanade quer voltar, mas da próxima vez eu trocarei de papel com ela. Ela será a segurança particular.
Agora a mais nova adição à lista- Boxing Day
Dia 26 de dezembro é um feriado no Canadá e é por tradição um dia em que o comércio promove uma grande queima de estoque. Isso é o paraíso para as pessoas consumistas, estou me incluindo neste grupo, onde as lojas oferecem produtos variados, de roupas a eletrônicos, por preços que são uma loucura. Conseguimos achar produtos com até 80% de desconto e isso não é enrolação. Porém, vamos à realidade...
Este dia consegue unir tudo que os outros programas de índio contêm de pior. Para os homens então, é o símbolo maior da perda de tempo. Imaginem sair para compras com as mulheres onde o objetivo delas é comprar tudo o que está em promoção. Não podemos negar que as promoções são imperdíveis, mas 10 minutos são suficientes para os homens coseguiem o que querem. Uma visita à Best Buy, Future Shop ou Circuit City são suficientes. Pior, podemos faze isso pela Internet. Por causa desses 10 minutos de prazer temos que pagar por dois dias de perrengue. As filas para entrada nas lojas começam a se formar no dia anterior, assim como na Fórmula 1. Os shoppings são tão lotados e fedidos como como a volta do reveillon pela Nossa Senhora de Copacabana e o segredo é não largar a mão da esposa, assim como no carnaval de Salvador, mas neste caso é por pura proteção ao seu histórico de crédito. Cada loja que entrávamos demorávamos 1 hora para achar alguma roupa e mais 1 hora na fila para pagar. As coisas estavam mais difíceis do que fila para montanha russa no Wonderland. Depois de andar 5 horas naquele mafuá saímos, eu, prometendo que aquele evento entraria em minha lista de programas de índio e a Nanade prometendo que dia seguinte estaria na mesa zona. Espero que ela arrume um grupo de malucas para acompanhá-la, pois eu, tô fora!
