domingo, 2 de novembro de 2008

Ah, se eu soubesse...

Você sabia...

... que a partir de hoje a diferenca de horário entre Toronto e Brasília é de 3 horas? A diferença normal entre as cidade é de 2 horas. Brasília GMT -3, Toronto GMT -5. Porém, na maioria do ano ou estamos com a diferença de 1 ou 3 horas. Por que? Horário de verão! Duas semanas atrás o Brasil entrou no horáio de verão. Hoje o Canadá saiu do horário de verão. Em março ocorrerá o oposto e voltaremos a ter uma hora de diferença.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ah, se eu soubesse... (1)

Esse livro tem uma abordagem interessante. Eles juntaram 150 pessoas bem sucedidas e perguntaram o que elas gostariam de ter sabido 25 anos antes de obterem sucesso. Em outras palavras o que as ajudariam a obter esse sucesso mais rapidamente ou com menos esforço. Seguindo nesta linha gostariamos de inserir aqui um conjunto de curiosidades que só descobrimos depois de nossa chegada, mas que seria muito interessante que as tivéssemos anteriormente.

Vejam, não será nenhum segredo que mudará a vida de ninguém, muito pelo contrário, a idéia é colocar pequenos detalhes que nos fazem perder dias, horas, minutos ou segundos preciosos em nossa adaptação. Lógico que também haverá informação puramente inútil, afinal estamos aqui para nos divertir. Importante, as informações são baseadas na realidade de Toronto e pode ser que não valham para outras províncias.

Resolvemos colocar este post antes de acabar o restante do post do carro, acho que ele não teve muito sucesso com o público, só tivemos 2 comentários. Aquela empreitada está fadada ao insucesso. Ah, se eu soubesse…

Você sabia...

… que não importa a cidade que colocou no formulário? A imigração ignora veementemente esta informação!

… que ter o endereço completo, incluindo o Zip Code, de onde irão mandar seu Permanent Resident Card é uma mão na roda? Caso contrário você terá que enviar fax com as informações e isso pode atrasar o seu recebimento. (Esse caso foi bem particular, mas demoramos 3 meses para receber o PR card por conta disso. Anyway, a dica é válida)

… que os táxis do aeroporto não cobram pelo taxímetro, eles têm uma tabela com as regiões da cidade cujos preços são pre-fixados? Não pensem que estão sendo enganados logo na chegada ao país.

… que as highways principais estão sempre congestionadas em Toronto? Nada comparada à São Paulo, mas no inverno a neve toma conta de 1/3 do espaço, no verão, as obras.

… que as fechaduras são colocadas “de cabeça para baixo”? Assim, ao invés de fechar, abrimos e vice-versa. Ou não? Ou no Brasil é que é de cabeça para baixo?

… que o fluxo da descarga gira no sentido anti-horário? Informação inútil que tinha visto nos Simpsons e tive que fazer a prova.

… que você paga uma passagem de TTC (metrô, onibus, street car) e caso precise pegar outra condução em direção perpendicular você poderá pegar um ticket chamado transfer para continuar sua viagem? A explicação é um pouco mais complicada e mais proveitosa depois que as pessoas passam pela experiência. Mas saibam que é possível pegar mais de uma condução pelo preço de uma passagem.

… que as moedas funcionam muito bem e assim os canadenses não estão acostumados com a idéia de “facilitar o troco”? Ou seja, se tiver que pagar $12.50 e você der $22.50 normalmente eles te devolvem as suas moedas e mais $7.50 em moedas. A estratégia é você já falar o que quer. Please, could I have a ten dollar bill back?

… que por conta disso caso não tenha um porta moeda descente você anda no meio da rua parecendo uma dançarina do ventre? Triiiimmm, triiiiimmm, triiiimmm.

… que você pode fazer um U-turn (parar do lado direito da rua e fazer o famoso gato para voltar em direção oposta) em qualquer lugar desde que não seja explicitamente proibido?

… que você pode dobrar à direita nos sinais fechados, desde que pare, veja que não há carros vindo e que não seja explicitamente proibido?

… que você pode parar no meio de um cruzamento dobrar a esquerda, desde que não seja explicitamente proibido?

… que pedestre tem precedência sobre qualquer veículo? Isso é uma coisa que os brasileiros terão que mudar completamente. Nossa idéia quando estamos dirigindo e vemos um pedestre na calçada é “ele vai esperar eu passar”. O canadense é exatamente o oposto, pedestre vê o carro e pensa “ele vai esperar eu passar” e atravessa sem nem olhar se você parou ou não. CUIDADO!

… que os sinais de trânsito para pedestres sempre têm um contador regressivo e você consegue usar esta informação para saber quando o sinal ficará amarelo para os carros? Ou seja, quando o contador do pedestre chega a zero, o sinal para os carros fica amarelo. Assim, você consegue saber de longe se vai conseguir passer naquele sinal ou não. (Sinal, semáforo ou qualquer outro nome que queira interpretar)

… que o canadense é muito liberal com a questão da maconha, mas nem tanto com bebida alcóolica? A maconha é considerada uma “fase” que os jovens sempre passam. Ao contrário, eles se preocupam muito com a questão de menos bebendo. Não me perguntem o por quê.

... que durante o inverno é aconselhável mudar seus pneus para winter tires que têm uma composição diferente e assim não endurecem, mantendo o "grip"? A partir de 7 graus positivos, os pneus de inverno já começam a aparecer nas ruas. Eu disse recomendável, não obrigatório. Ouvimos dizer que em Quebec passou a ser obrigatório e isso é uma indicação do que está vindo por aí.

... que a temperatura para começar a usar luvas e tocas é aproximadamente 5 graus positivos? Essa era uma dúvida que eu sempre tive. Ficava com receio de sair todo encapuzado numa temperatura que não estava de acordo com as vestimentas. Claro, tudo depende da sua capacidade de aguentar frio, mas é consenso que abaixo de 5 graus...

Essa é apenas uma idéia inicial A medida que formos lembrando de algo, inseriremos aqui.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Finalmente chegou!

A volta dos posts chegou!

Finalmente depois de tanto tempo sem escrever devido um trauma profundo gerado por um erro idiota, resolvemos voltar a escrever neste espaço. Esta hibernação as avessas foi muito boa para relermos nossos textos e perceber que fizemos várias promessas que não foram cumpridas. Por isso começamos o post afirmando veementemente que iremos... parar de fazer promessas, ou tentar, e que devem acreditar em nós quando dissermos: nunca acreditem em nossas promessas, mesmo que pareçam muito honestas.

Apesar de estarmos longe da nossa atividade literária, nossas vidas continuam na correria. A palavra central desta fase é, mais do que nunca, aprendizado. Temos muito a contar e bastante “papel” disponível para isso. Veremos a velocidade que isso sairá da cabeça.

Voltando ao ponto em que paramos. A compra do carro.

Como sabem, fizemos um super post para falar sobre o assunto e o blogspot fez o favor de salvar uma alteração indevida que simplesmente jogou tudo pelo ralo. Assim, procuraremos reproduzir o que ainda lembramos e esperamos que a leitura seja tão proveitosa quanto a primeira que não tiveram a oportunidade de colocar os olhos.

O objetivo deste post é auxiliar as pessoas na procura por um meio de transporte nas terras do norte. As decisões neste processo são várias: Comprar ou não? Novo ou usado? 4X4 ou FWD? Leasing ou financiamento? Japonês ou americano? Esportivo ou Família? E por aí vai. Nós não iremos dissertar sobre vantagens e desvantagens de cada uma dessas variáveis. Na verdade apresentaremos quais foram os pensamentos e interpretações que nos levaram a uma decisão final. Não queremos causar polêmicas, assim cada um poderá aproveitar as informações da forma que quiser. Adiantando, a brincadeira não é tão simples quanto parece.

A primeira decisão é sobre tirar carteira de motorista ou não. Acredito que esta seja a mais simples de todas. Então, começando pelo mais fácil, a sugestão é: tirem mesmo que não tenham planos para comprar carro em curto ou médio prazo. Num post passado comentamos que existem 3 bases necessárias para termos um início que nos tranqüilize (casa, carro e trabalho). Umas das razões principais para tirar a carteira é que após um ano de carteira com licença full (G) o seguro começa a ficar mais barato. Isso é uma realidade em Toronto, não sei se as outras províncias seguem a mesma abordagem. Qualquer abatimento neste custo é um prêmio, pois os valores para recém chegados são, na nossa opinião, absurdos. A média do que estamos vendo por aí é de 300 dólares/mês, isso mesmo!

Depois disso vem a pergunta crucial sobre se realmente o carro é necessário. Afinal, o sistema de transporte público é muito eficiente e oferece um serviço competente dentro de GTA. Para aqueles que moram longe do TTC, trabalham fora do centro e/ou gostam de passear no final de semana, a escolha de ficar sem carro passa a não ser tão atrativa. Nós temos amigos em Mississauga, Brampton, Tornhill, Markham e Whitby e chegar nesses locais utilizando serviço público num tempo satisfatório é impossível. Além disso, trabalho do lado oposto da cidade e perder 2 horas e 40 min no metrô por dia não fazia parte dos nossos planos. Assim, nossa escolha foi comprar um carro.

Existem opções interessantes para aqueles que conseguem chegar facilmente ao trabalho e precisam do carro apenas esporadicamente. Empresas como autoshare (www.autoshare.com) e Zipcar (www.zipcar.com) oferecem serviços de aluguel de carros por períodos menores do que 1 dia. Assim, atividades como buscar alguém no aeroporto, fazer compras maiores (ninguém merece carregar sacolas no metrô ou ônibus) ou ir ao International Kenter (em Sueco escreve com K) of Entertainment Abroad, vulgo IKEA, ficam mais simples de serem realizadas. Aliás, acredito que o IKEA seja a maior concentração de carros alugados em Toronto, cerca de 90% dos carros têm adesivos de uma dessas duas empresas ou de uma terceira, que não sei o nome devido a quantidade de propaganda contida nos carros. Assim, se você não se sente constrangido em andar num carro alegórico, então fique à vontade para alugá-lo no valor de 1 dólar/h. Bom, foi isso que ouvi por aí, não sei se é verdade.

Parêntesis para aqueles que procuram diversão barata no Canadá. Esta dica vale ouro e custa menos do que ir ao cinema. Caso esteja entediado e com pouca grana dirija-se ao estacionamento do IKEA para acompanhar o árduo trabalho dos pobres clientes tentando levar suas “pequenas” compras para seus meios de transporte. Aparentemente os suecos tem um grande senso de humor e fizeram o favor de oferecer um carrinho de compras que é mais estreito do que um braço de sofá, mais curto que uma caixa de cômoda, sacolas colocadas estrategicamente num local onde praticamente devemos fazer embaixadinhas para nos movimentarmos e, para finalizar esta obra prima, as quatro rodas são soltas. Eu carinhosamente os chamo de “drunk cart”. Vocês acham que é só isso? Todas as ruas do estacionamento têm uma angulação suficiente para que sua força não seja capaz de suportar o carrinho sem parecer bêbado e a loja tem todo o atrativo para que o passeio seja realizado com a presença da família inteira. Acreditem, as crianças nessas horas não são os ajudantes dos sonhos, muito pelo contrário, porém elas inserem um atrativo a mais para aqueles que buscam diversão. Tem um brasileiro que é especialista nesta atividade. Assim, se quiserem umas aulas particulares basta contatá-lo. Aqui segue um vídeo de seu treinamento especial. http://www.youtube.com/watch?v=0shjsIbJfo8. Merece assistir até o final.

Voltando ao assunto de carros alugados. As empresas citadas acima têm comparações em seus sites em relação às vantagens entre a compra de carros e o sistema de serviços que oferecem. Cabe a cada um avaliar as condições e verificar se atendem às suas necessidades. Estas fontes devem ser obrigatórias para quem está neste processo de decisão.

Depois da decisão de comprar tudo se torna mais tranquilo, certo? Errado! Os preços dos carros são irrisórios em relação ao que costumamos pagar no Brasil e a possibilidade de poder escolher carros que seriam mais difíceis de adquirirmos nos deixa com a cabeça em parafuso. Ficamos duas semanas igual crianças em loja de brinquedo, todo carro que passava anotávamos o nome para avaliar preços e condições. Nossa lista de prioridades mudou umas 237 vezes em duas semanas. Para terem uma idéia de preços, fazendo uma comparação 1-para-1 entre dólar e real, afinal recebemos em dólar, o preço de um Civic Completíssimo é mais barato do que um Celtinha pé duro (R$27.000.00). Isso chega a ser vergonhoso.

Por isso fizemos uma pequena lista de carros para que sua busca seja facilitada.
  • Se você é feio: compre o Aztec, da Pontiac, ou o Prius, da Toyota. Tudo é uma questão de comparação, perto daqueles carros, até o corcunda de Notre Dame é gato. O contraponto para esta abordagem é ser incluído no pacote e ganhar um prêmio pelo conjunto da obra. Porém, se isso ocorrer eu ficarei surpreso por ter sobrevivido até hoje sem tomar uma surra no meio da rua ao ser confundido com alguma assombração, leprechau ou coisa parecida. Eu diria que para estar neste nível você deve parecer com um cruzamento de Chinese Crested com Amy Winehouse em convulsão.
  • Se você é gordo: compre um Smart. Afinal, não é você que é gordo, o carro que é pequeno. Tome cuidado apenas para a discrepância entre sua pança e o tamanho do carro. Você não vai querer parecer um muffin com muito fermento sendo desenformado, certo?
  • Se você é garotão solteiro: compre um Mini. Muitos dizem que é carro de mulher, mas a reação que este carro causa sobre pessoas do sexo feminino é igual àquela causada por filhotinhos de Labrador. “Ahhhhhhhhhhhhh, olha que gracinha, que bonitinho!”. Pronto, taí o seu espaço para começar uma papo furado. Por favor, nunca mencionem bebida alcoólica em suas cantadas, como já demonstrei anteriormente, isso não funciona. A vantagem desta abordagem é que você não precisa catar cocô no meio da rua e a alimentação destes “bichinhos” é muito barata aqui no Canadá. Atualmente, menos de 1 dólar por litro.
  • Se você é hipocondríaco: compre um HHR, da Chevrolet. A cor branca é a preferida desta categoria, pois as pessoas já ficam com o sentimento que estão dentro de uma ambulância. Se a situação for muito crítica, compre o preto, pois já estará passeando livremente no seu rabecão.

Não chegamos nem na metade do trabalho e o post já está gigante. Continuamos em breve. Eu prometo...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ele está chegando...

Depois de um longo e tenebroso outono, ele está chegando...

Alguns aguardam com ansiedade, outros com desprezo, muitos com saudade...

Ele está chegando...

domingo, 14 de setembro de 2008

Compra do carro

ESTAVA COM UM POST PRONTO E ESSE BLOGSPOT ME SACANEOU. PERDI TUDO NOVAMENTE.

Compra de carro:
Muitas variáveis
Carteira de motorista
Compramos
Haagen Dazs

Eeeeeee

Sem mais. Espero que este site exploda!

domingo, 7 de setembro de 2008

Sistema de Saúde no Canadá. A maior decepção até o momento.

***DISCLAIMER*** POST LONGO!

Estou tentando colocar os assuntos em dia, as coisas vão acontecendo, mas o tempo para escrever está curto. Afinal, temos que aproveitar o verão enquanto ele está por aí. O tempo começa a ficar mais frio, os dias mais curtos e as folhas começam a se avermelhar. Acredito que estamos começando a entrar no nosso tão esperado desafio, a prova de fogo, ou de gelo, o maior período de provação, o tão temido inverno canadense.

Durante um papo com amigos fizemos um ranking das coisas que mais nos desagradavam no Canadá. Primeira coisa a dizer é que é bom poder estar neste momento de crítica, pois demonstra que estamos realmente com os pés no chão e capazes de medir os prós e contras de nossas novas vidas. Segunda coisa é que houve uma surpresa no ítem escolhido como primeiro no ranking. Ao invés do frio, a comida. O canadense come muito mal, não há uma culinária que possa ser considerada local. Aliás, se fosse necessário eleger qual é o tipo de cozinha canadense com certeza o resultado seria algo misturado entre curry e “flied lice”. Desculpas a quem gosta, mas acho as cozinhas indiana e chinesa um lixo! Enquanto a cozinha indiana se preocupa mais com o cheiro do que com o gosto. Mas o cheiro apenas externo, pois quando a parada passa por uma digestão, não quem quem ande de taxi. A chinesa não se preocupa com nada, joguem tudo numa panela quente com arroz ou macarrão e pronto. Claro que há as exceções, mas no geral...

Vou colocar uma passagem rápida que nem merecia comentário. Fui a um restaurante mongol, que nada mais é do que a comida chinesa feita na sua frente. O convite foi feito por um amigo do trabalho e ele realmente estava muito empolgado com a idéia, então como negar? Chegando ao local entramos na fila dos ingredientes onde a primeira coisa a se escolher são as carnes. Ele me recomendou misturar “lamb” com “beef”, pois daria um gosto especial ao prato. Assim, o fiz! Diga-se de passagem eu estava tão perdido que ele podia falar qualquer mistura ninja que eu seguiria seus conselhos. Tudo era novo, me senti como um gringo numa casa de feijoada onde todos os ingredientes são duvidosos, mas no fim o resultado é muito bom... para alguns. Coloquei as carnes da forma que ele sugeriu, espinafre, cebola, macarrão, um molho que parecia ser de tomate, vinho para cozinhar, alho poró, alho picado e manjericão. Quase uma pizza mongol! Lembrei da minha infância quando via meu avô fazendo lavagem para porco em sua fazenda. Só faltou casca de melancia e aipim para a minha “ruma” de comida. Eu ainda não tinha visto nada, a escolha dos ingredientes era a parte mais agradável do almoço. O duro seria comer aquela gororoba depois da mistura.

Chegamos ao início da fila, aquela chapa enorme com 3 “cozinheiros” que jogavam os ingredientes e adicionavam água para dissolver aquela porcaria toda. O segredo da cozinha mongol é que logo após retirar a comida de um cliente, o outro já usufrui da rebarba, sendo presenteado com não somente os ingredientes que escolheu, mas também com os restos queimados do companheiro de sofrimento que passou por ali imediatamente 0.3 segundos antes. Logo, toda comida tem o mesmo gosto. Se fosse no Brasil o processo receberia um selo de qualidade ISO 9000 para atestar esta eficiência. Ao ver a imagem da chapa pensei em desistir, mas seria uma desfeita muito grande. Quando havia apenas 2 pessoas à minha frente os “chefs” resolveram limpar a chapa. Vieram então as vontades de desistir número 2, 3 e 4. Uma espátula fedida raspava um crosta preta de gordura nojenta e restos de vegetais que eram jogados ao lado como se fosse um local muito bem protegido, higiênico e longe dos olhos de quem iria degustar a comida. Porém, realmente acho que isto não os incomoda. Eu comecei a olhar para os clientes para ver se tinha algum ficando verde ou pálido, essa seria a minha deixa para desistir. Infelizmente o estômago do pessoal daqui já está acostumado com maus tratos.

Comida misturada, agora era o maior desafio. O cheiro e a visão me levavam a crer que eu tinha pedido comida diretamente do lixo de um restaurante italiano. Eu ficava pensando quão absurdo seria esta situação, mas até me diverti imaginando isso. Ao saborear a comida, tive uma grande surpresa, pois comecei a achar a idéia anterior realmente uma opção válida. Depois de queimar a língua, literalmente falando, consegui ter acesso ao gosto daquele... troço. A pessoa que me convidou estava me olhando fixamente para ver minha reação à primeira “garfada”. Não sei se ele queria rir, atestando que aquilo tudo era uma pegadinha, ou se realmente estava esperando que eu passasse por debaixo da mesa, no melhor estilo Ana Maria Braga. Prontamente veio a pergunta “So, how do you like it?”. A vontade que tive foi responder “I like it out of my freaking mouth!”. O gosto era de estrume, ou algo bem parecido com isso, mas ainda não havia conseguido identificar se era de “lamb” ou “beef”. Depois da segunda “garfada” o suor começou a descer. A comida estava apimentada mesmo eu não tendo inserido qualquer ingrediente com esta característica. Espero que não me entendam mal, mas, vestido, eu não gosto de nenhuma comida que me faça suar para completar os trabalhos. Se já estava causando problemas na hora de entrar, imaginem na saída. Nestes momentos que algumas peças do quebra cabeça começam a se juntar (Metrô, OVNAs, Mongóis, quem??!!). O meu amigo continuou na sua busca por informações. “E aí? Gostou do carneiro?”. Sei lá! Se carneiro tiver gosto de cabo de guarda-chuva, então estou o saboreando em toda a sua magnitude. Me esforcei ao máximo para conseguir comer pelo menos metade do bowl e me livrar o mais rápido possível daquela obrigação e partir direto para a sobremesa. Veio o convite para a segunda rodada, mas dispensei sem vergonha alguma. Peguei uns brigadeiros e passei o resto do almoço comendo-os na velocidade de uma formiga. No final saí sem saber quem era o mongol da aventura.

Vamos ao que interessa, dei uma volta enorme para chegar onde queria. Acho que só existe uma coisa pior que comida aqui no Canadá. Assim, o primeiro lugar no ranking, na minha opinião, vai para o sistema de saúde. Este assunto realmente nos causou uma grande decepção, não esperávamos que o nível de atendimento fosse tão baixo.

Quando chegamos no Canadá tivemos um problema com o seguro saúde que contratamos no Brasil. Precisamos de um médico especialistas e eles não conseguiram achar para nós. Colocamos um post aqui falando sobre isso, mas realmente acredito que o problema não é 100% do seguro. Aliás, eu diria uns 10% apenas. A situação da saúde realmente não é boa e isso é uma unanimidade. Os próprios canadenses reconhecem esta deficiência, portanto venham preparados. Uma coisa que conversei bastante com a Nanade é que estávamos acostumados com um nível de serviço que realmente estava acima da média. Os planos de saúde que tínhamos, assim como a maioria bem estabelecida no Brasil, nos permitia ir a hospitais para tratar qualquer ocasião, independente da gravidade. Antes de vir para cá morávamos em São Paulo, então qualquer probleminha íamos ao Albert Einstein e sempre tínhamos médicos especialistas à nossa espera. Esse é um luxo que não temos aqui. O sistema de saúde é público. Não há comparação entre os sistemas públicos do Brasil e do Canadá, mas também não podemos comparar público com privado. Então, respirem fundo e bola pra frente.

As coisas funcionam da seguinte forma:
  1. Devemos ter um médico de família. Ele é um clínico geral e sua primeira fonte de consulta para qualquer problema. Não há como ir diretamente para um especialista, você só consegue depois de uma indicação do MF (não confundam, é Médico de Família, e não Motherf...!).
  2. Caso não tenhamos um MF ou ele não esteja disponível no momento que precise, então você pode ir para uma walking clínic. Existem algumas WC (não confundam, é Walking clinic, e não latrina!) que normalmente funcionam no formato de ordem de chegada.
  3. Caso tenhamos uma urgência, devemos ir diretamente para os hospitais. Já pegamos uma dica com amigos que moram a mais tempo no Canadá que se realmente precisar ir para um hospital, ligue para 911 e uma ambulância virá te buscar, caso contrário a espera é longa.

Todos contextualizados, vamos à nossa aventura: achar um MF. O primeiro passo é procurar um médico que esteja aceitando novos pacientes para ser médico de família. Pelo que ouvimos 30% das pessoas no Canadá, inclusive canadenses, estão desassistidos neste aspecto. Então já viram como seria nossa busca! Para iniciarmos entramos numa página na Internet que indica todas as informações sobre médicos, localidades, especializações e, o mais importante, se estão aceitando novos pacientes. (http://www.cpso.on.ca/Doctor_Search/dr_srch_hm.htm). Pegamos uma lista de médicos com as características que queríamos e começamos a ligar. Sem exagero, ligamos para mais de 20 médicos, todos disseram que já não estavam mais aceitando novos pacientes e que a página estava desatualizada. BTW, a página é atualizada, segundo informações dos médicos, uma vez por ano. SO, YOU ARE RUINING THE PURPOSE OF IT, YOU MF! Mandei uma mensagem para amigos pedindo dicas para achar um médico de família e a melhor resposta que obtive foi ter calma, perseverança e paciência. Caramba, essas palavras nunca param de aparecer neste processo.

Partimos então para a segunda opção, fomos para uma WC. Nós estávamos procurando uma indicação para uma oftalmologista e tentamos ir na WC 4 vezes, as 3 primeiras ou o médico tinha saído mais cedo, ou estava doente. Na verdade a WC perto de casa estava com falta de médicos e os que estavam por lá estavam sobrecarregados, que novidade! Finalmente quando conseguimos conciliar nossa agenda com a da WC tivemos uma excelente surpresa ao ver um aviso que o médico estava aceitando novos pacientes. Nos empolgamos! Falamos de nossa situação para a recepcionista e a reação dela foi a seguinte. “Look, If I were you I would come tomorrow to see Dr Whatever”. ?????!!!!!!. Nós só queremos uma indicação para um oftalmologista, isso não deve ser tão difícil. Até eu, que não entendo “lhufas”, consigo fazer isso. Pegue um papel, escreva “go to the doctor” and that's it! Ela reforçou o aviso e nos colocou na fila. Enquanto ainda estávamos em pé preenchendo a nossa ficha, uma recepcionista virou para a outra e disse num tom de voz audível para quem estava do outro lado do balcão de atendimento. “Look, she is in love. How cute is that?”. “Shut up!!” disse a outra recepcionista. “Ooooooo, that's sweet, she is in love!”. Não pudemos nos conter e olhamos para trás para entender o que elas estavam falando. Pensamos que fosse uma menininha que estava se tratando na parte de fisioterapia ou algo do tipo. Ao nos virarmos vimos uma senhora com os cabelos da Iaiá Boneca, maquiagem da Elke Maravilha, roupa de mendigo, meia da Emília, o braço todo seco depois daquela coçada (parecia perna de pavão) e um Croc amarelo. Para terem uma noção exata da imagem, pensem na Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Acho que o Monteiro Lobato já foi residente permanente no Canadá e tirou muita inspiração daqui. As recepcionista continuaram comentando sobre o amor da véia por alguém do outro lado da rua. Era impressionante, pois a mulher tinha aquele ar de apaixonada e nem ouvia o que as mulheres falavam. Se nós conseguíamos ouvir, ela também conseguia, mas o amor era maior do que tudo e ela estava surda. Quando voltamos nossa atenção para a recepcionista, ela disse. “She is the doctor who is going to see you”. Eu acho que fizemos uma cara muito esquisita, pois a recepcionista só nos respondeu com aquela boca torta dizendo silenciosamente “...told ya!”.

Estamos na chuva, no WC, nos molhar não é uma opção boa nesta situação, mas quão complicado seria passar uma folha de papel/fax/qualquer coisa para nos indicar a um oftalmologista. Resolvemos correr o risco e ver se a doida era apenas esquisita ou se tinha problemas sérios. Afinal ela era uma médica, em nossos conceitos ela faz parte de um grupo seleto de pessoas privilegiadas em relação ao seu intelecto e que necessitam de muito foco para chegar em suas posições. Lá fomos nós! Para encurtar uma história longa, falamos nosso problema, ela começou a chorar as pitangas que o Canadá não tratava bem os médicos e se quisesse ganhar dinheiro os médicos devem ir para os USA, etc , etc, etc. Ok, freak! Could you refer us to an eye doctor? “Sure! I will do it and get back in a second. You can wait outside”. Ok! Chegamos lá fora e depois de 10 minutos a recepcionista nos perguntou. “So, Did you get your referral?”. Claro, claro! A doutora Lesinha foi fazer a papelada. “I hope she remembers that! Ehehe”. Que?! “...told ya!”. Caramba! Mais 10 minutos e vem a descompensada com um papel na mão e um nome escrito. Que isso? Amigo secreto? “Call Dr XXX and say I've referred you”. Ok! You Who? “Oh my name is Dr Cuca (sei lá o nome da doida)”. Peguei o pedaço de papel e tinha somente o nome do médico. Ué! Onde consigo o telefone? Não tem nenhum formulário padrão? Nada! “No, if they request that, than we send, but don't worry, he knows me!”. Ai, ai, ai. Vamos lá! Terra nova, nova forma de tratar as coisas. Vai que o doido da história sou eu e eu não sei??!!.

Dia seguinte pegamos o telefone do médico no site que colocamos acima e ligamos. Não precisamos dizer que a primeira coisa que a recepcionista disse foi que precisávamos do pedido formal, que sem isso eles não atenderiam. Lá fomos nós de novo para a WC, isso tava pior que dor de barriga. Desta vez fizemos uma reclamação formal e conversamos com o médico principal. O cara bem mais centrado, mas com as mesmas roupas maltrapilhas e uma voz que tenho certeza que ele estava bêbado. Fomos muito bem atendidos e conseguimos o que estávamos procurando. Ele disse que estava aceitando novos pacientes e diante das opções que tínhamos preferimos ficar com o ébrio. Afinal, com ele podemos ter a sorte de pegá-lo num dia bom em que bebida ainda não subiu a cabeça. Já a doida...

Depois disso não precisamos mais de médicos. Ainda bem que somos pessoas com uma saúde muito boa. Apenas semana passada que a Nanade teve um início de intoxicação por causa dos produtos de limpeza que usamos para fazer uma desinfecção na nova casa, mas foi só eu dizer que se ela não melhorasse eu a levaria para ver a Cuca que ela melhorou rapidinho (além do apoio do Flávio, Márcia, Edward e Jack, logicamente!).

Ainda to devendo a aventura do carro e nossa mudança para a nova casa.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Visto Americano no Canadá. Não é lenda!

Aproveitarei o embalo te ter escrito um post para colocar outro assunto bem interessante que é quase uma lenda. Visto Americano requisitado a partir do Canadá.

Ano passado fiz algumas viagens para os USA a trabalho e numa delas resolvemos que a Nanade iria comigo. Afinal, uma oportunidade para conhecer San Francisco "metade" "de graça" não poderia ser jogada fora. Tivemos uma surpresa quando a Nanade recebeu um não do consulado em São Paulo. A razão foi que eles pediram o meu passaporte e a Nanade não tinha levado. Aliás, em momento algum eles dizem isso, então como adinvinhar a cabeça dessa galera? A experiência foi muito frustrante, mas resolvemos que só iríamos tirar o visto americano para a Nanade depois que tivéssemos o visto canadense nas mãos. Todos dizem que é muito mais fácil nesta situação.

Devido a diversos fatores pessoais, quando recebemos nossos vistos canadenses resolvemos antecipar nossa vinda para o Canadá. A idéia era passarmos 15 dias em Orlando, aproveitando um pouco a vida, pois eu estava há 7 anos sem férias, para depois chegarmos descansados na nossa batalha de novos imigrantes. O problema é que a fila para o visto americano só nos permitiria requisitá-lo faltando 10 dias para a nossa viagem e seria muito arriscado, uma vez que o consulado estava fazendo jogo duro com os brasileiro para devolução dos passaportes. Uma amiga nossa demorou quase um mês para receber seu passaporte de volta e disse que encontrou várias pessoas que perderam suas viagens por causa dessa gracinha.

Planos mudados, viagem direta para o Canadá e a minha promessa que a Nanade teria um visto até o final do ano nas mãos. Os USA aqui do lado, não tem como não ter este pedaço de papel. Buffalo, a Ciudad del Lest Canadense, NY à 2 horas de Vôo, San francisco, Las vegas a preços ridículos.... precisamos desta carta de liberdade. Quando fui ao consulado brasileiro pela primeira vez peguei um jornal brasileiro que havia um passo a passo de como conseguir o visto americano em Toronto. Recebemos uma ducha de água fria ao ler, pois a Consul americana dizia textualmente que as pessoas devem tirar o seu visto em seus paises de origem. Assim, fica muito mais fácil para eles avaliarem os seus antecendentes e laços com o país. Bom, fazer o que?

Começamos a planejar uma viagem da Nanade para o Brasil durante as suas férias para que ela pudesse visitar a família E tirar o visto no Brasil. Como sempre a fila estava kilométrica e ficou difícil qualquer movimento. Até que surgiu a oportunidade de visitar Orlando com meus pais e resolvemos procurar algo por aqui mesmo. Bom, vamos tentar, se não der certo vamos ao Brasil.

Primeiro desafio: arrumar uma data. Vocês acham que aqui é diferente? Nada disso! O Canadense não precisa de visto para ir aos USA, por isso achamos que a fila seria mais light. Ledo engano! Com a quantidade de imigrantes no país as filas também são grandes. O sistema para agendar a "entrevista" é online (https://www.nvars.com/) e as cidades disponíveis são Toronto, Ottawa, Vancouver, Quebec City, Montreal e Halifax, se não me engano. Em toronto existe a possibilidade de agendar com até 6 semanas de antecedência. Para a nossa surpresa não havia qualquer data disponível. Depois de tentar várias vezes recebemos uma excelente dica que seria melhor tentar também em outras cidades, pois Toronto é sempre muito concorrido. Também nada conseguimos! O que resolveu foi a Nanade ficar o dia inteiro, e não é exagero, no site tentando achar uma vaga. No segundo dia conseguimos uma vaga em Ottawa para 1 mês depois do dia que estávamos. Isso nos tranquilizou, mas queríamos algo mais próximo, tanto em tempo, quanto em distância. No segundo dia finalmente achamos a data e o local que queríamos. Toronto para "daqui a uma semana".

Segundo desafio: correr atrás dos documentos, pagamento de taxas, coleta de evidências que temos ligaçao com o país, fotos (aliás, 2 fotos de passaporte custou CAN$22.00, acreditem!), etc. Uma das coisas que deve ser levada é a carta de confirmação emitida no momento que fazemos o agendamento. Esta carta tem a lista das coisas que devem ser entregues e algumas regras para o dia, como por exemplo nenhuma máquina fotográfica, celular ou qualquer outro aparelho eletrônico pode adentrar ao recinto e ninguém além da pessoa que vai tirar o visto poderá estar no local, a não ser que a pessoa seja de menor. Ooops, isso nos levou ao desafio 3.

Terceiro desafio: Treinar a Nanade para a entrevista. Eu passava o dia fingindo que era o oficial de imigração e a Nanade a entrevistada. Perguntava por que queria ir, quanto tempo estava no país, por que havia tido seu visto negado e tantas outras coisas que achávamos que seriam cruciais para obtermos o visto. A Nanade estava muito nervosa com esta situação, mas acho que a vontade de ir para a Orlando e para "East City" era maior.

Quarto desafio: Encarar o dia D. A entrevista estava marcada para 9:30h e chegamos à frente do consulado às 9:15. Na calçada há uma barreira de cimento, como se fossem uns cones, e um segurança do consulado fica para dentro. Quando estávamos chegando até ele, uma pessoa o abordou antes de nós. Quando íamos ultrapassar a barreira recebemos um grito de desconsertar qualquer um. "Wait there!!!!". Caramba! Isso tudo é receio de falar com duas pessoas ao mesmo tempo? O guardinha não tinha muito tato e pediu para ver os documentos da Nanade. Havíamos combinado que eu tentaria entrar para auxiliá-la, mas se não desse certo, nosso treinamento seria suficiente. Depois de ver os documentos ele virou para mim e perguntou "Are you the interpreter?". Opa, nossa deixa! Sim! "You must provide a photo ID". Como somos errados, mas não tanto, resolvi dizer que era o marido, mas que funcionaria como intérprete. "You must provide it anyway". Mais grosso que papel de enrolar prego. Ok! Sem problemas! Passamos pela primeira barreira. Depois foi só apresentar os documentos nas próximas duas. Chegamos ao primeiro booth e uma mulher com a cara da Vovó Zilda também foi muito seca. Perguntou se eu era marido e pediu que aguardássemos para ser chamados. A sala estava cheio de chineses, koreanos, indianos, etc. Acredito que é nesta hora que eles pegam os documentos e fazem um background check para validar nossa situação. Enquanto aguardávamos ficávamos nos divertindo com a dificuldade dos agentes para chamar os nomes. Indian Passport vaghnabrashaaba Singh. Ahahahahahahahahahahhaahah. Chinese Passaport Ia Yu. ahahahhahahahahahaha. Indian Passport (qualquer nome que parece um pneu sendo furado) Vaghabanda Vagaluma, sei lá. ahahahahhahahahah. A mulher demorava três horas para falar cada nome. Realmente uma diversão. Durante essas chamadas conhecemos, ou vimos, pela primeira vez uma pessoa oriunda do Nepal. Caramba, existe mesmo. Em minha To do list, agora só falta conhecer alguém de Papua Nova Guiné e Ilhas Seisheles. Aproximadamente 40 minutos depois... Brazilian Passport Aliiiaa Aaaa. Ih amor, acho que é você, mas agora não teve muita graça (:-)). Por um lado isso foi bom, pois ao chegarmos ao segundo booth a mulher já tinha um sentimento de dívida. "Sorry, this name is not so commom". Acho que ela tava acostumada com muitas letrinhas sem vogais. "Don't worry it is a difficult name even for me". Esta mulher foi muito simpática e tirou as digitais da Nanade. Bom sinal, acreditávamos que se não fosse ser aceita, nem as digitais seriam tiradas. Mais 5 minutos e fomos chamados para o terceiro booth e mais uma mulher simpática. A Nanade começou o discurso com o "I don't speak english". Ela falou para não se preocupar. Fez as perguntas de sempre: por que quer ir para os USA, quanto tempo...... Virou para mim e perguntou onde eu trabalhava, pediu para ver meu passaporte e como havíamos aprendido esta lição da última vez, o passaporte estava em mãos. Ela viu que eu tinha várias entradas, virou para a Nanade e disse "you have a very good english, you should not say the opposite. You are going to receive your Visa at home in one week". AAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE. Haagen Dazs. Haagen Dazs.

O processo todo demorou aproximadamente 1 hora e foi muito tranquilo. Depois que tiramos o visto conversamos com algumas pessoas que já estão aqui no Canadá a mais tempo e elas disseram que tirar visto aqui é tranquilo mesmo, que provavelmente nós entendemos errado. O que o USA quer é que as pessoas tirem o visto em seus home country e não no país de origem. Como o Canadá é nosso home country agora, então não tivemos problemas. Porém, pessoas que vêm para cá como turistas e tentam tirar o visto americano por aqui são negadas imediatamente. Bom, pelo menos foi o que escutamos. Fica a dica.

Uma semana depois a Nanade recebe o seu passaporte com o tão esperado visto. Detalhes, o visto vale por 10 anos e tem escrito em letras garrafais "LANDED IMMIGRANT IN CANADA". Acho que da próxima vez que formos para lá eu pegarei carona com ela. O visto tá bonito e é real! Não é lenda!

Agora só falta estrear. "East City", here we go!