quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ele está chegando...

Depois de um longo e tenebroso outono, ele está chegando...

Alguns aguardam com ansiedade, outros com desprezo, muitos com saudade...

Ele está chegando...

domingo, 14 de setembro de 2008

Compra do carro

ESTAVA COM UM POST PRONTO E ESSE BLOGSPOT ME SACANEOU. PERDI TUDO NOVAMENTE.

Compra de carro:
Muitas variáveis
Carteira de motorista
Compramos
Haagen Dazs

Eeeeeee

Sem mais. Espero que este site exploda!

domingo, 7 de setembro de 2008

Sistema de Saúde no Canadá. A maior decepção até o momento.

***DISCLAIMER*** POST LONGO!

Estou tentando colocar os assuntos em dia, as coisas vão acontecendo, mas o tempo para escrever está curto. Afinal, temos que aproveitar o verão enquanto ele está por aí. O tempo começa a ficar mais frio, os dias mais curtos e as folhas começam a se avermelhar. Acredito que estamos começando a entrar no nosso tão esperado desafio, a prova de fogo, ou de gelo, o maior período de provação, o tão temido inverno canadense.

Durante um papo com amigos fizemos um ranking das coisas que mais nos desagradavam no Canadá. Primeira coisa a dizer é que é bom poder estar neste momento de crítica, pois demonstra que estamos realmente com os pés no chão e capazes de medir os prós e contras de nossas novas vidas. Segunda coisa é que houve uma surpresa no ítem escolhido como primeiro no ranking. Ao invés do frio, a comida. O canadense come muito mal, não há uma culinária que possa ser considerada local. Aliás, se fosse necessário eleger qual é o tipo de cozinha canadense com certeza o resultado seria algo misturado entre curry e “flied lice”. Desculpas a quem gosta, mas acho as cozinhas indiana e chinesa um lixo! Enquanto a cozinha indiana se preocupa mais com o cheiro do que com o gosto. Mas o cheiro apenas externo, pois quando a parada passa por uma digestão, não quem quem ande de taxi. A chinesa não se preocupa com nada, joguem tudo numa panela quente com arroz ou macarrão e pronto. Claro que há as exceções, mas no geral...

Vou colocar uma passagem rápida que nem merecia comentário. Fui a um restaurante mongol, que nada mais é do que a comida chinesa feita na sua frente. O convite foi feito por um amigo do trabalho e ele realmente estava muito empolgado com a idéia, então como negar? Chegando ao local entramos na fila dos ingredientes onde a primeira coisa a se escolher são as carnes. Ele me recomendou misturar “lamb” com “beef”, pois daria um gosto especial ao prato. Assim, o fiz! Diga-se de passagem eu estava tão perdido que ele podia falar qualquer mistura ninja que eu seguiria seus conselhos. Tudo era novo, me senti como um gringo numa casa de feijoada onde todos os ingredientes são duvidosos, mas no fim o resultado é muito bom... para alguns. Coloquei as carnes da forma que ele sugeriu, espinafre, cebola, macarrão, um molho que parecia ser de tomate, vinho para cozinhar, alho poró, alho picado e manjericão. Quase uma pizza mongol! Lembrei da minha infância quando via meu avô fazendo lavagem para porco em sua fazenda. Só faltou casca de melancia e aipim para a minha “ruma” de comida. Eu ainda não tinha visto nada, a escolha dos ingredientes era a parte mais agradável do almoço. O duro seria comer aquela gororoba depois da mistura.

Chegamos ao início da fila, aquela chapa enorme com 3 “cozinheiros” que jogavam os ingredientes e adicionavam água para dissolver aquela porcaria toda. O segredo da cozinha mongol é que logo após retirar a comida de um cliente, o outro já usufrui da rebarba, sendo presenteado com não somente os ingredientes que escolheu, mas também com os restos queimados do companheiro de sofrimento que passou por ali imediatamente 0.3 segundos antes. Logo, toda comida tem o mesmo gosto. Se fosse no Brasil o processo receberia um selo de qualidade ISO 9000 para atestar esta eficiência. Ao ver a imagem da chapa pensei em desistir, mas seria uma desfeita muito grande. Quando havia apenas 2 pessoas à minha frente os “chefs” resolveram limpar a chapa. Vieram então as vontades de desistir número 2, 3 e 4. Uma espátula fedida raspava um crosta preta de gordura nojenta e restos de vegetais que eram jogados ao lado como se fosse um local muito bem protegido, higiênico e longe dos olhos de quem iria degustar a comida. Porém, realmente acho que isto não os incomoda. Eu comecei a olhar para os clientes para ver se tinha algum ficando verde ou pálido, essa seria a minha deixa para desistir. Infelizmente o estômago do pessoal daqui já está acostumado com maus tratos.

Comida misturada, agora era o maior desafio. O cheiro e a visão me levavam a crer que eu tinha pedido comida diretamente do lixo de um restaurante italiano. Eu ficava pensando quão absurdo seria esta situação, mas até me diverti imaginando isso. Ao saborear a comida, tive uma grande surpresa, pois comecei a achar a idéia anterior realmente uma opção válida. Depois de queimar a língua, literalmente falando, consegui ter acesso ao gosto daquele... troço. A pessoa que me convidou estava me olhando fixamente para ver minha reação à primeira “garfada”. Não sei se ele queria rir, atestando que aquilo tudo era uma pegadinha, ou se realmente estava esperando que eu passasse por debaixo da mesa, no melhor estilo Ana Maria Braga. Prontamente veio a pergunta “So, how do you like it?”. A vontade que tive foi responder “I like it out of my freaking mouth!”. O gosto era de estrume, ou algo bem parecido com isso, mas ainda não havia conseguido identificar se era de “lamb” ou “beef”. Depois da segunda “garfada” o suor começou a descer. A comida estava apimentada mesmo eu não tendo inserido qualquer ingrediente com esta característica. Espero que não me entendam mal, mas, vestido, eu não gosto de nenhuma comida que me faça suar para completar os trabalhos. Se já estava causando problemas na hora de entrar, imaginem na saída. Nestes momentos que algumas peças do quebra cabeça começam a se juntar (Metrô, OVNAs, Mongóis, quem??!!). O meu amigo continuou na sua busca por informações. “E aí? Gostou do carneiro?”. Sei lá! Se carneiro tiver gosto de cabo de guarda-chuva, então estou o saboreando em toda a sua magnitude. Me esforcei ao máximo para conseguir comer pelo menos metade do bowl e me livrar o mais rápido possível daquela obrigação e partir direto para a sobremesa. Veio o convite para a segunda rodada, mas dispensei sem vergonha alguma. Peguei uns brigadeiros e passei o resto do almoço comendo-os na velocidade de uma formiga. No final saí sem saber quem era o mongol da aventura.

Vamos ao que interessa, dei uma volta enorme para chegar onde queria. Acho que só existe uma coisa pior que comida aqui no Canadá. Assim, o primeiro lugar no ranking, na minha opinião, vai para o sistema de saúde. Este assunto realmente nos causou uma grande decepção, não esperávamos que o nível de atendimento fosse tão baixo.

Quando chegamos no Canadá tivemos um problema com o seguro saúde que contratamos no Brasil. Precisamos de um médico especialistas e eles não conseguiram achar para nós. Colocamos um post aqui falando sobre isso, mas realmente acredito que o problema não é 100% do seguro. Aliás, eu diria uns 10% apenas. A situação da saúde realmente não é boa e isso é uma unanimidade. Os próprios canadenses reconhecem esta deficiência, portanto venham preparados. Uma coisa que conversei bastante com a Nanade é que estávamos acostumados com um nível de serviço que realmente estava acima da média. Os planos de saúde que tínhamos, assim como a maioria bem estabelecida no Brasil, nos permitia ir a hospitais para tratar qualquer ocasião, independente da gravidade. Antes de vir para cá morávamos em São Paulo, então qualquer probleminha íamos ao Albert Einstein e sempre tínhamos médicos especialistas à nossa espera. Esse é um luxo que não temos aqui. O sistema de saúde é público. Não há comparação entre os sistemas públicos do Brasil e do Canadá, mas também não podemos comparar público com privado. Então, respirem fundo e bola pra frente.

As coisas funcionam da seguinte forma:
  1. Devemos ter um médico de família. Ele é um clínico geral e sua primeira fonte de consulta para qualquer problema. Não há como ir diretamente para um especialista, você só consegue depois de uma indicação do MF (não confundam, é Médico de Família, e não Motherf...!).
  2. Caso não tenhamos um MF ou ele não esteja disponível no momento que precise, então você pode ir para uma walking clínic. Existem algumas WC (não confundam, é Walking clinic, e não latrina!) que normalmente funcionam no formato de ordem de chegada.
  3. Caso tenhamos uma urgência, devemos ir diretamente para os hospitais. Já pegamos uma dica com amigos que moram a mais tempo no Canadá que se realmente precisar ir para um hospital, ligue para 911 e uma ambulância virá te buscar, caso contrário a espera é longa.

Todos contextualizados, vamos à nossa aventura: achar um MF. O primeiro passo é procurar um médico que esteja aceitando novos pacientes para ser médico de família. Pelo que ouvimos 30% das pessoas no Canadá, inclusive canadenses, estão desassistidos neste aspecto. Então já viram como seria nossa busca! Para iniciarmos entramos numa página na Internet que indica todas as informações sobre médicos, localidades, especializações e, o mais importante, se estão aceitando novos pacientes. (http://www.cpso.on.ca/Doctor_Search/dr_srch_hm.htm). Pegamos uma lista de médicos com as características que queríamos e começamos a ligar. Sem exagero, ligamos para mais de 20 médicos, todos disseram que já não estavam mais aceitando novos pacientes e que a página estava desatualizada. BTW, a página é atualizada, segundo informações dos médicos, uma vez por ano. SO, YOU ARE RUINING THE PURPOSE OF IT, YOU MF! Mandei uma mensagem para amigos pedindo dicas para achar um médico de família e a melhor resposta que obtive foi ter calma, perseverança e paciência. Caramba, essas palavras nunca param de aparecer neste processo.

Partimos então para a segunda opção, fomos para uma WC. Nós estávamos procurando uma indicação para uma oftalmologista e tentamos ir na WC 4 vezes, as 3 primeiras ou o médico tinha saído mais cedo, ou estava doente. Na verdade a WC perto de casa estava com falta de médicos e os que estavam por lá estavam sobrecarregados, que novidade! Finalmente quando conseguimos conciliar nossa agenda com a da WC tivemos uma excelente surpresa ao ver um aviso que o médico estava aceitando novos pacientes. Nos empolgamos! Falamos de nossa situação para a recepcionista e a reação dela foi a seguinte. “Look, If I were you I would come tomorrow to see Dr Whatever”. ?????!!!!!!. Nós só queremos uma indicação para um oftalmologista, isso não deve ser tão difícil. Até eu, que não entendo “lhufas”, consigo fazer isso. Pegue um papel, escreva “go to the doctor” and that's it! Ela reforçou o aviso e nos colocou na fila. Enquanto ainda estávamos em pé preenchendo a nossa ficha, uma recepcionista virou para a outra e disse num tom de voz audível para quem estava do outro lado do balcão de atendimento. “Look, she is in love. How cute is that?”. “Shut up!!” disse a outra recepcionista. “Ooooooo, that's sweet, she is in love!”. Não pudemos nos conter e olhamos para trás para entender o que elas estavam falando. Pensamos que fosse uma menininha que estava se tratando na parte de fisioterapia ou algo do tipo. Ao nos virarmos vimos uma senhora com os cabelos da Iaiá Boneca, maquiagem da Elke Maravilha, roupa de mendigo, meia da Emília, o braço todo seco depois daquela coçada (parecia perna de pavão) e um Croc amarelo. Para terem uma noção exata da imagem, pensem na Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Acho que o Monteiro Lobato já foi residente permanente no Canadá e tirou muita inspiração daqui. As recepcionista continuaram comentando sobre o amor da véia por alguém do outro lado da rua. Era impressionante, pois a mulher tinha aquele ar de apaixonada e nem ouvia o que as mulheres falavam. Se nós conseguíamos ouvir, ela também conseguia, mas o amor era maior do que tudo e ela estava surda. Quando voltamos nossa atenção para a recepcionista, ela disse. “She is the doctor who is going to see you”. Eu acho que fizemos uma cara muito esquisita, pois a recepcionista só nos respondeu com aquela boca torta dizendo silenciosamente “...told ya!”.

Estamos na chuva, no WC, nos molhar não é uma opção boa nesta situação, mas quão complicado seria passar uma folha de papel/fax/qualquer coisa para nos indicar a um oftalmologista. Resolvemos correr o risco e ver se a doida era apenas esquisita ou se tinha problemas sérios. Afinal ela era uma médica, em nossos conceitos ela faz parte de um grupo seleto de pessoas privilegiadas em relação ao seu intelecto e que necessitam de muito foco para chegar em suas posições. Lá fomos nós! Para encurtar uma história longa, falamos nosso problema, ela começou a chorar as pitangas que o Canadá não tratava bem os médicos e se quisesse ganhar dinheiro os médicos devem ir para os USA, etc , etc, etc. Ok, freak! Could you refer us to an eye doctor? “Sure! I will do it and get back in a second. You can wait outside”. Ok! Chegamos lá fora e depois de 10 minutos a recepcionista nos perguntou. “So, Did you get your referral?”. Claro, claro! A doutora Lesinha foi fazer a papelada. “I hope she remembers that! Ehehe”. Que?! “...told ya!”. Caramba! Mais 10 minutos e vem a descompensada com um papel na mão e um nome escrito. Que isso? Amigo secreto? “Call Dr XXX and say I've referred you”. Ok! You Who? “Oh my name is Dr Cuca (sei lá o nome da doida)”. Peguei o pedaço de papel e tinha somente o nome do médico. Ué! Onde consigo o telefone? Não tem nenhum formulário padrão? Nada! “No, if they request that, than we send, but don't worry, he knows me!”. Ai, ai, ai. Vamos lá! Terra nova, nova forma de tratar as coisas. Vai que o doido da história sou eu e eu não sei??!!.

Dia seguinte pegamos o telefone do médico no site que colocamos acima e ligamos. Não precisamos dizer que a primeira coisa que a recepcionista disse foi que precisávamos do pedido formal, que sem isso eles não atenderiam. Lá fomos nós de novo para a WC, isso tava pior que dor de barriga. Desta vez fizemos uma reclamação formal e conversamos com o médico principal. O cara bem mais centrado, mas com as mesmas roupas maltrapilhas e uma voz que tenho certeza que ele estava bêbado. Fomos muito bem atendidos e conseguimos o que estávamos procurando. Ele disse que estava aceitando novos pacientes e diante das opções que tínhamos preferimos ficar com o ébrio. Afinal, com ele podemos ter a sorte de pegá-lo num dia bom em que bebida ainda não subiu a cabeça. Já a doida...

Depois disso não precisamos mais de médicos. Ainda bem que somos pessoas com uma saúde muito boa. Apenas semana passada que a Nanade teve um início de intoxicação por causa dos produtos de limpeza que usamos para fazer uma desinfecção na nova casa, mas foi só eu dizer que se ela não melhorasse eu a levaria para ver a Cuca que ela melhorou rapidinho (além do apoio do Flávio, Márcia, Edward e Jack, logicamente!).

Ainda to devendo a aventura do carro e nossa mudança para a nova casa.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Visto Americano no Canadá. Não é lenda!

Aproveitarei o embalo te ter escrito um post para colocar outro assunto bem interessante que é quase uma lenda. Visto Americano requisitado a partir do Canadá.

Ano passado fiz algumas viagens para os USA a trabalho e numa delas resolvemos que a Nanade iria comigo. Afinal, uma oportunidade para conhecer San Francisco "metade" "de graça" não poderia ser jogada fora. Tivemos uma surpresa quando a Nanade recebeu um não do consulado em São Paulo. A razão foi que eles pediram o meu passaporte e a Nanade não tinha levado. Aliás, em momento algum eles dizem isso, então como adinvinhar a cabeça dessa galera? A experiência foi muito frustrante, mas resolvemos que só iríamos tirar o visto americano para a Nanade depois que tivéssemos o visto canadense nas mãos. Todos dizem que é muito mais fácil nesta situação.

Devido a diversos fatores pessoais, quando recebemos nossos vistos canadenses resolvemos antecipar nossa vinda para o Canadá. A idéia era passarmos 15 dias em Orlando, aproveitando um pouco a vida, pois eu estava há 7 anos sem férias, para depois chegarmos descansados na nossa batalha de novos imigrantes. O problema é que a fila para o visto americano só nos permitiria requisitá-lo faltando 10 dias para a nossa viagem e seria muito arriscado, uma vez que o consulado estava fazendo jogo duro com os brasileiro para devolução dos passaportes. Uma amiga nossa demorou quase um mês para receber seu passaporte de volta e disse que encontrou várias pessoas que perderam suas viagens por causa dessa gracinha.

Planos mudados, viagem direta para o Canadá e a minha promessa que a Nanade teria um visto até o final do ano nas mãos. Os USA aqui do lado, não tem como não ter este pedaço de papel. Buffalo, a Ciudad del Lest Canadense, NY à 2 horas de Vôo, San francisco, Las vegas a preços ridículos.... precisamos desta carta de liberdade. Quando fui ao consulado brasileiro pela primeira vez peguei um jornal brasileiro que havia um passo a passo de como conseguir o visto americano em Toronto. Recebemos uma ducha de água fria ao ler, pois a Consul americana dizia textualmente que as pessoas devem tirar o seu visto em seus paises de origem. Assim, fica muito mais fácil para eles avaliarem os seus antecendentes e laços com o país. Bom, fazer o que?

Começamos a planejar uma viagem da Nanade para o Brasil durante as suas férias para que ela pudesse visitar a família E tirar o visto no Brasil. Como sempre a fila estava kilométrica e ficou difícil qualquer movimento. Até que surgiu a oportunidade de visitar Orlando com meus pais e resolvemos procurar algo por aqui mesmo. Bom, vamos tentar, se não der certo vamos ao Brasil.

Primeiro desafio: arrumar uma data. Vocês acham que aqui é diferente? Nada disso! O Canadense não precisa de visto para ir aos USA, por isso achamos que a fila seria mais light. Ledo engano! Com a quantidade de imigrantes no país as filas também são grandes. O sistema para agendar a "entrevista" é online (https://www.nvars.com/) e as cidades disponíveis são Toronto, Ottawa, Vancouver, Quebec City, Montreal e Halifax, se não me engano. Em toronto existe a possibilidade de agendar com até 6 semanas de antecedência. Para a nossa surpresa não havia qualquer data disponível. Depois de tentar várias vezes recebemos uma excelente dica que seria melhor tentar também em outras cidades, pois Toronto é sempre muito concorrido. Também nada conseguimos! O que resolveu foi a Nanade ficar o dia inteiro, e não é exagero, no site tentando achar uma vaga. No segundo dia conseguimos uma vaga em Ottawa para 1 mês depois do dia que estávamos. Isso nos tranquilizou, mas queríamos algo mais próximo, tanto em tempo, quanto em distância. No segundo dia finalmente achamos a data e o local que queríamos. Toronto para "daqui a uma semana".

Segundo desafio: correr atrás dos documentos, pagamento de taxas, coleta de evidências que temos ligaçao com o país, fotos (aliás, 2 fotos de passaporte custou CAN$22.00, acreditem!), etc. Uma das coisas que deve ser levada é a carta de confirmação emitida no momento que fazemos o agendamento. Esta carta tem a lista das coisas que devem ser entregues e algumas regras para o dia, como por exemplo nenhuma máquina fotográfica, celular ou qualquer outro aparelho eletrônico pode adentrar ao recinto e ninguém além da pessoa que vai tirar o visto poderá estar no local, a não ser que a pessoa seja de menor. Ooops, isso nos levou ao desafio 3.

Terceiro desafio: Treinar a Nanade para a entrevista. Eu passava o dia fingindo que era o oficial de imigração e a Nanade a entrevistada. Perguntava por que queria ir, quanto tempo estava no país, por que havia tido seu visto negado e tantas outras coisas que achávamos que seriam cruciais para obtermos o visto. A Nanade estava muito nervosa com esta situação, mas acho que a vontade de ir para a Orlando e para "East City" era maior.

Quarto desafio: Encarar o dia D. A entrevista estava marcada para 9:30h e chegamos à frente do consulado às 9:15. Na calçada há uma barreira de cimento, como se fossem uns cones, e um segurança do consulado fica para dentro. Quando estávamos chegando até ele, uma pessoa o abordou antes de nós. Quando íamos ultrapassar a barreira recebemos um grito de desconsertar qualquer um. "Wait there!!!!". Caramba! Isso tudo é receio de falar com duas pessoas ao mesmo tempo? O guardinha não tinha muito tato e pediu para ver os documentos da Nanade. Havíamos combinado que eu tentaria entrar para auxiliá-la, mas se não desse certo, nosso treinamento seria suficiente. Depois de ver os documentos ele virou para mim e perguntou "Are you the interpreter?". Opa, nossa deixa! Sim! "You must provide a photo ID". Como somos errados, mas não tanto, resolvi dizer que era o marido, mas que funcionaria como intérprete. "You must provide it anyway". Mais grosso que papel de enrolar prego. Ok! Sem problemas! Passamos pela primeira barreira. Depois foi só apresentar os documentos nas próximas duas. Chegamos ao primeiro booth e uma mulher com a cara da Vovó Zilda também foi muito seca. Perguntou se eu era marido e pediu que aguardássemos para ser chamados. A sala estava cheio de chineses, koreanos, indianos, etc. Acredito que é nesta hora que eles pegam os documentos e fazem um background check para validar nossa situação. Enquanto aguardávamos ficávamos nos divertindo com a dificuldade dos agentes para chamar os nomes. Indian Passport vaghnabrashaaba Singh. Ahahahahahahahahahahhaahah. Chinese Passaport Ia Yu. ahahahhahahahahahaha. Indian Passport (qualquer nome que parece um pneu sendo furado) Vaghabanda Vagaluma, sei lá. ahahahahhahahahah. A mulher demorava três horas para falar cada nome. Realmente uma diversão. Durante essas chamadas conhecemos, ou vimos, pela primeira vez uma pessoa oriunda do Nepal. Caramba, existe mesmo. Em minha To do list, agora só falta conhecer alguém de Papua Nova Guiné e Ilhas Seisheles. Aproximadamente 40 minutos depois... Brazilian Passport Aliiiaa Aaaa. Ih amor, acho que é você, mas agora não teve muita graça (:-)). Por um lado isso foi bom, pois ao chegarmos ao segundo booth a mulher já tinha um sentimento de dívida. "Sorry, this name is not so commom". Acho que ela tava acostumada com muitas letrinhas sem vogais. "Don't worry it is a difficult name even for me". Esta mulher foi muito simpática e tirou as digitais da Nanade. Bom sinal, acreditávamos que se não fosse ser aceita, nem as digitais seriam tiradas. Mais 5 minutos e fomos chamados para o terceiro booth e mais uma mulher simpática. A Nanade começou o discurso com o "I don't speak english". Ela falou para não se preocupar. Fez as perguntas de sempre: por que quer ir para os USA, quanto tempo...... Virou para mim e perguntou onde eu trabalhava, pediu para ver meu passaporte e como havíamos aprendido esta lição da última vez, o passaporte estava em mãos. Ela viu que eu tinha várias entradas, virou para a Nanade e disse "you have a very good english, you should not say the opposite. You are going to receive your Visa at home in one week". AAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE. Haagen Dazs. Haagen Dazs.

O processo todo demorou aproximadamente 1 hora e foi muito tranquilo. Depois que tiramos o visto conversamos com algumas pessoas que já estão aqui no Canadá a mais tempo e elas disseram que tirar visto aqui é tranquilo mesmo, que provavelmente nós entendemos errado. O que o USA quer é que as pessoas tirem o visto em seus home country e não no país de origem. Como o Canadá é nosso home country agora, então não tivemos problemas. Porém, pessoas que vêm para cá como turistas e tentam tirar o visto americano por aqui são negadas imediatamente. Bom, pelo menos foi o que escutamos. Fica a dica.

Uma semana depois a Nanade recebe o seu passaporte com o tão esperado visto. Detalhes, o visto vale por 10 anos e tem escrito em letras garrafais "LANDED IMMIGRANT IN CANADA". Acho que da próxima vez que formos para lá eu pegarei carona com ela. O visto tá bonito e é real! Não é lenda!

Agora só falta estrear. "East City", here we go!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Saia da mãe ou do país?

Hoje estava numa excelente discussão sobre algumas barreiras que enfrentamos em nosso caminho para sair do país. Dentre outras coisas, diante de alguns relatos, percebemos que há dois grandes grupos que nos cercam: os orgulhosos e os invejosos. No geral, veja que estou realmente generalizando, os orgulhosos são aqueles que têm coragem de fazer o que você está fazendo mas não têm vontade. Os invejosos são aqueles que têm vontade, mas não têm coragem.

A minha estratégia nestes casos era simples. Para os orgulhosos eu perdia meu tempo explicando que o Canadá não é frio por 12 meses, que existe verão, outono e primavera, que o governo realmente ajuda as pessoas, que existe de fato oportunidades de se obter uma boa posição e que o país precisa muito mais do que apenas lavadores de pratos. Para os invejosos eu simplesmente concordava com suas teorias que resultavam na idéia absurda que nosso objetivo de vida era virar engraxate de esquimó. Se isto os fazia bem, para mim estava ótimo.

Outro grande problema é a questão da separação física da família e é neste ponto que gostaria de focar este post. Muitas vezes vemos casos em que as famílias "acusam" os futuros imigrantes de abandono ou até mesmo os próprios imigrantes sentem a culpa por estar deixando seus pais e avós para "trás". Isto pode ser um fator decisivo para aqueles que estão em dúvida sobre seu futuro. Assim, resolvi contar a minha experiência para que possa ser utilizado como um peso nesta balança.

Quando estava no processo ouvi do meu pai duas frases que apenas atestaram minha decisão. Enfatizando que isso é uma situaçõ muito particular, mas vou colocá-la aqui de qualquer forma.

Só para contextualizar, meu pai é de Ilhéus - BA e saiu de casa aos 11 anos de idade carregado pela mão pelo meu avô para ir atrás do sonho, de ambos, de seguir uma carreita militar. Quase 50 anos depois ele se aposentou como General e deu o prazer à minha vó de vê-lo recebendo o comando de uma região do Nordeste cujo o quartel General fica em Salvador. Lembro muito bem dessa cerimônia quando minha vó com os olhos marejados olhou para mim e disse. "Meu filho, isso é uma realização sem tamanho". 4 meses depois, minha vó faleceu. Tenho certeza que ela não se conteve com a emoção e teve que ir contar para o meu avô que toda a dor que haviam passado tempos atrás havia valido a pena. Na minha cabeça ficou aquela imagem, aquela vibração, aquele sentimento que consegui extrair da voz trêmula e olhos focados na figura do meu pai. Na minha interpretação isso é tudo o que quero prover à nossa família. Talvez hoje eu consiga ter uma visão muito mais clara daquele momento, assim consigo explicar melhor.

Crescemos com uma única obrigação imposta por meu pai: sermos felizes. Assim, quando soube de nossas pretensões ele me falou, dentro de vários papos, duas frases que me marcaram. "Meu filho, nós já vivemos nossa vida, conquistamos nossas conquistas, batalhamos nossas batalhas, vencemos nossas vitórias. Por favor, complete nossa vida vivendo a sua." e "Se ficasse para ver meus pais envelhecendo, as únicas histórias que teria a contar seriam as suas mortes".

Isso foi suficiente para que este problema não fosse mais considerado. Hoje percebemos o orgulho que nossos pais sentem ao falar que estamos por aqui. Ainda há outra boa variável, depois de algum tempo podemos abrir o processo para que eles também se tornem residentes permanentes assim como nós. Vir ou não é uma decisão particular, mas a possibilidade existe.

Quanto ao fato de compartilhar a vida, as conquistas e até os momentos diários, as coisas estão muito mais simples. Hoje o skype nos permite ter um número em Brasília e nossa família pode nos ligar como se estivéssemos lá. Caso queiramos nos ver, basta abrir o programa e colocar a câmera. Fora isso, guardamos emoções e as apresentamos de maneira a surpreendê-los e sempre lembrá-los de nosso relacionamento. Vou colocar abaixo uma das cartas que enviei para meu pai. Nesta situação, eu havia acabado de mudar para São Paulo e gostaria de demostrar a ele como faz parte de minha vida. Espero que gostem.

"Pai,
Após a elaboração do livro em homenagem aos seus 60 anos surgiu em mim uma vontade de continuar lhe escrevendo o sentimento que me acomete quando penso em você. Essa vontade sempre foi postergada por falta de tempo. Porém, é válido dizer que o tempo existe, o que precisamos é saber priorizar. Após a leitura daqueles slides que você me mostrou, onde havia o arrependimento de uma pessoa perante a falta de um pai devido aos acontecimentos da vida e a ocorrência de minha mudança para São Paulo, resolvi começar a escrever-lhe. Nada melhor do que aproveitar um pouco o tempo colocando no papel sensações glorificantes. Quero externar o que sinto sozinho, quero mostrar-lhe como é bom ter uma pessoa que lhe apóia e lhe ensina.

Essas cartas servirão também como um diário para passar as coisas boas que vivemos. Afinal, de que adianta experimentarmos se não pudermos dividir?

Toda vez, ao final da tarde, penso o que realizei durante o dia, exatamente como sempre ouço sua voz me dizer. Se você soubesse como isso me faz crescer...

Esta é minha segunda semana aqui em São Paulo e a cada dia fico mais feliz. É muito interessante olhar pela janela e ver um mar de luzes, os barulhos da cidade grande, as oportunidades surgindo uma atrás da outra. Quando isso acontece sinto-me um vitorioso, sinto-me capaz de realizar qualquer coisa, acho que nunca havia sentido isso antes.Vejo um mundo pela janela que está à espera da minha gana por sucesso e ao ver a Nanade feliz aqui ao meu lado me sinto completo e preciso externar isso. Não há pessoa melhor a compartilhar do que aquele que sempre acreditou em meu potencial, na verdade mais do que isso, apostou suas fichas.

Orgulho... É isso que procuro passar as pessoas. Eu sinto orgulho de você, pai, e cada vez que penso nisso levo uma descarga de energia positiva. Por isso, tento alcançar sua magnitude. Quero que as pessoas se sintam da mesma forma que me sinto ao me espelhar em você.

Você faz parte de mim.

Eu te amo,

Luciano Barreto"

Espero que estas palavras que tanto me incentivaram também sirvam para outras pessoas. Sei que a maioria que está aqui não precisa de incentivo, mas esta variável família sempre será um contraponto a se considerar.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Trabalho. Papo sério!

Antecipando às críticas, esta semana não falarei da Nanade. Semana passada ela foi o foco e espero não receber denúncias sobre teorias da conspiração contra o universo feminino. Outra coisa, algumas pessoas pediram para eu fazer um vídeo da Dança do Pombo. A possibilidade disso ocorrer é zero. Já basta o tombo no "trenó de verão" para as pessoas ficarem rindo da minha cara.

Nosso espaço serve para entreter e informar. Desta forma, iremos focar mais na parte informativa esta semana e não haverá muitas gracinhas. O assunto em foco é o trabalho. Gostaria de compartilhar algumas dicas e informações sobre as diferenças que encontramos por aqui para melhor nos adaptarmos.

O inglês está cada dia melhor. A compreensão está 100%, tirando as novas palavras que sempre faço questão de anotar em toda reunião e também algumas pessoas que costumam mumblar (to mumble) . A linguagem falada melhorou muito, cada dia mais eu vejo menos caras de interrogação e testas franzidas que claramente significam "what the hell is he trying to say?". Meu próximo objetivo é conseguir conectar as palavras nonetheless e whatsoever em algum dos meus discursos. As palavras não significam "nada", mas são muito bonitas, vocês não concordam?

Para alcançar estas melhorias eu inseri algumas atividades e mudanças de comportamento em meu dia a dia. Quando vou ao trabalho de carro (hummm acabei de perceber que deveria ter escrito o post sobre a compra do carro antes desse, mas agora é tarde, prometo que será o próximo) sempre escuto estações de notícias para melhorar o meu listening. Durante o dia procuro pensar tudo em inglês, ao invés de traduzir somente no momento de falar algo. Isso força o cérebro a ficar em english mode o tempo inteiro. Outra mudança sutil foi nas minhas senhas. Parêntesis para explicar melhor o assunto. Crio minhas senhas baseadas em frases que lembrarei facilmente e retiro a primeira letra de cada palavra. Assim, quem iria tentar colocar uma senha dessas 2Haqmecpnpcg? Porém, se eu disser que esta senha derivou da frase "2 Hamburgueres alface queijo molho especial cebola pickles num pão com gergelim". Ficou fácil, certo? A mudança que fiz é que agora as frases são em inglês e isso permite que minhas horas em english mode não sejam interrompidas no momento de colocar as senhas, que ocorre muitas vezes ao dia. Assim, a cabeça é bombardeada com inglês. Em casa, tentamos falar em inglês, mas nem sempre é possível. A Nanade está bem saidinha, mas ainda está no ponto de cansar depois de algum tempo. Isso é normal, então voltamos para o português.

Dicionário business:
  • Fly by night people. tradução literal "pessoas que voam durante a noite". Pessoas que ficam um curto espaço de tempo nas empresas por opção (aqueles que gostam de trocar muito de emprego) ou por fazer parte da carreira que escolheu (telemarketing, vendedores de porta em porta, etc). Exemplo: "I won't assign this responsibility to these fly by night people".
  • Good for you. Tradução literal "bom para você". Muitas vezes é usado de forma a ignorar ou desmerecer o que acabou de dizer, bem parecido com o uso do whatever, as vezes com uma cara bem simpática. Exemplo: Ok, I am going to a meeting now. "yeah, yeah, good for you".
  • Anõno. Tradução literal.... ???????. Usado por quem gosta de mumblar. Depois da quinta vez que a pessoa se expressa dessa forma você consegue entende que é I don't know. Exemplo: Who is responsible for that? Anõno
  • Use a bigger stick. Tradução literal "Usar um bastão maior". Usado quando é necessário agilizar alguma coisa, colocar mais pressão sobre determinada pessoa. Exemplo: "This schedule is delayed, we've got to use a bigger stick, otherwise it will not succeed"
  • Motherf... Tradução literal (não precisa). Esta palavra nem deveria estar aqui. Ela só é usada em situações onde as pessoas se conhecem bem ou se alguém quer arrumar confusão. Inseri a palavra, pois acredito que ela seja a mais engraçada da língua inglesa. Não existe uma sitação onde ela seja utilizada que você não tenha vontade de soltar uma grande risada. Bom, pelo menos eu tenho. Exemplo: "What are you doing motherf...?" AHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Eu realmente acho engraçado.
O dia a dia da empresa é bem interessante. Uma coisa bem clara é que aqui eles de fato não dão a mínima importância para a forma que a pessoa se veste ou para o estilo de vida de cada um. Você encontra de tudo, piercing esquisitos, rabos de cavalos em senhores, idades avançadas ou curtas demais, saias avançadas ou curta demais, calças rasgadas, maquiagem em homem, mulher vestida de homem, senhoras vestidas de menininhas de 20 anos.

Aliás, talvez esta seja a única história engraçada deste post. Eu fui para uma reunião onde necessitava apresentar um plano para uma determinada atividade. Meu chefe me avisou para eu tomar cuidado com uma senhora que normalmente era mais crítica sobre as questões que seriam discutidas, pois se tratava da área que ela gerenciava. Prontamente peguei o telefone e demonstrei algumas diretivas para ver se as coisas estavam de acordo com o que ela esperava. Eu não queria nenhuma surpresa numa de minhas primeiras apresentações. A pessoa por telefone foi muito seca, para não dizer grossa, e criou alguns problemas de antemão. No dia da reunião a sala tinha umas 5 pessoas, entre elas uma senhora com uma cara bem simpática. Logo vi que aquela não era a mulher que eu havia falado pelo telefone, uma vez que já havia criado uma imagem em minha cabeça depois das "patadas"que havia levado e olha que nós nem mesmo havíamos chegado nos pontos polêmicos. A medida que as discussões foram acontecendo, percebi várias caras de "what the hell is he trying to say?", menos da senhora simpática. Fiquei bem a vontade para voltar toda a minha atenção para ela, pois estava sendo bem compreendido e aceito pela sua visionomia, certo? Errado! Depois que a mulher abriu a boca pela primeira vez percebi, pela voz, de quem se tratava. Era ela! A própria! Havia acabado de passar por uma sessão de plática com botox, ou algo do tipo. A mulher não fazia cara de "What the hell.." por que não conseguia. Ela tava a cara da Gretchen, quando falava, a sobrancelha levantava automaticamente e sem sincronia, quando a boca fechava a cara voltava para o estado inicial. No decorrer das discussões eu não conseguia entender se eu estava conseguindo mudar suas idéias com os meus argumentos ou não, pois ela não expressava qualquer reação. Não sei se aquilo é estratégia ou erro médico, mas estava tornando minha vida um inferno, principalmente porque sentia vontade de rir a todo momento. As técnicas de apresentação indicam que você deve pegar os argumentos que estão sendo aceitos e discorrer mais sobre a assunto para tentar vender a idéia. Além disso, eu li o livro "Linguagem Corporal" e procuro utilizar aqueles ensinamentos nestes momentos. Mas como fazer isso? Eu não conseguia entender o que se passava na cabeça da mulher até que ela abrisse a boca (e a sombrancelha levatasse automaticamente e sem sincronia). Eu quase falei "olha só, vamos combinar assim, se você concordar com o que estou falando, fique com essa cara feliz, ela está de acordo com a situação. Porém, se não concordar, por favor cuspa na mesa. Assim, terei uma melhor idéia dos meus próximos passos.". Essa foi uma das reuniões mais difícieis que já enfrentei, mas no final tudo se resolveu. Ela colocou os pontos que achava relevante e que, na visão dela, seria melhor para que sua área pudesse realizar seu trabalho da melhor maneira possível. Whatever, good for you, motherf...

Outra coisa bem interessante aqui no Canadá é a possibilidade da licença maternidade também ser uma licença paternidade. Funciona assim, o governo paga, durante um ano, 55% do salário das pessoas para que a mãe OU o pai fique em casa com a criança. Há um teto para esse montante. Algumas empresas, como a que trabalho por exemplo, ainda complementam com porcentagens de 10 a 30% durante este período. Lá na empresa um dos project managers tirou uma licença paternidade de 6 meses e depois voltou como se nada tivesse ocorrido, seu emprego garantido, seu lugar reservado, etc. Na minha cabeça de brasileiro, se uma pessoa passa 6 meses fora da empresa e ninguém dá falta, é porque ele não é necessário. Aliás, se uma pessoa passa 1 semana fora e ninguém dá falta, pode mandar embora. Acho que esta idéia retrógrada está enterrada na minha cabeça, mas fiquei muito feliz em saber que aqui as coisas são diferentes. Eu comentei isso com um canadense que defendeu este direito com todos os argumentos. Espero um dia compartilhar este pensamento de maneira tão convicta.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mudança de abordagem e NANADE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Gostaria de comunicar que iremos mudar nossa abordagem para inserir posts aqui no blog. Essa nossa tentativa de juntar assuntos e escrever quando tivermos baboseiras suficientes não está dando certo. Começam a acontecer um monte de coisas e ficamos com preguiça (eu particularmente) de relatar tudo que se passa. Por isso estamos demorando tanto para inserir novo material. Além disso, tivemos uma experiência muito ruim com este blogger. Tínhamos um segundo post, quase todo preparado, faltavam apenas os retoques finais e quando fui modificá-lo, apertei delete depois de marcar tudo. Como o Blogger salva tudo imediatamente, perdemos todo conteúdo. Fiquei indignado e entrei em luto. Agora escreveremos tudo em doc e depois transferiremos para cá.... ou não. Os posts serão pequenos e mais frequentes.

Gostaria de fazer um protesto em relação a operação reclamação contra a ausência da Nanade no último post. O post seria único, mas como estava muito grande acabei dividindo em 2. Assim, as novidades da Nanade ficariam para o segundo e mais importante, pois o melhor sempre vem no final. Certo? Pois é. Quando ela fez a revisão final já de uma reclamada, mas nada que a minha "Pimp Hand" (vulgo tapeira na fuça) não resolvesse. Porém, algumas pessoas nos enviaram mensagens reclamando que não haviam ouvido nada da Nanade. Inclusive colocaram mensagem nos comentários (obrigado, hein, Li e Karllus) e isso gerou um movimento separatista de blogs em nosso lar.

Nheeenheeee nhee esse blog é só seu buaaaa buuaaaa buaaaa. Até as pessoas nheee nheee bla bla bla bla percebem buaaaaaaa buaaaaaaa buaaaaaaaa.

A Nanade tá aqui do lado dizendo que ela não fala assim. Mas é assim que eu escuto. Todos os homens sabem o que estou dizendo.

As notícias da Nanade nos holofotes. O inglês está melhorando muuuuuito. Tivemos que fazer o OHIP e esquecemos de levar o comprovante de residência com o nome dela. Resultado, ela teve que voltar lá SOZINHA para resolver o problema. Este já é um outro estágio. Agora ela começa a se virar realmente sozinha. Esse papo de já conseguir fazer compra é balela, pois é só apontar o que quer e perguntar "how much". Agora tirar um documento dentro de uma instituição provincial, já é outro nível. Acham pouco? Tivemos problema com nosso PR Card. O fax chegou até o local com problema no endereço e depois de 2 meses ainda não havíamos recebido. Liguei e pedi para colocarem o nosso endereço novo. Para nossa surpresa uma semana depois chegou apenas o meu cartão. Liguei lá e eles falaram que a Nanade deveria entrar em contato. Eu não poderia fazer isso por ela. Eu disse que ela ainda não tinha domínio completo da língua e que eu poderia fazer uma ponte como intérprete. Eles foram rigorosos e disseram que nem isso poderia fazer. Avisei para a Nanade do trabalho e disse que a ajudaria quando chegasse em casa. Porém, tive uma grata surpresa naquela tarde quando cheguei em casa. Pois ela já havia ligado e se virado sozinha. Para quem já passou uns tempos em um país de língua inglesa sabe que falar ao telefone é uma das tarefas mais complexas, pois você não tem outros recursos para interpretar o que está ocorrendo na conversa. Muito orgulho, muito orgulho.

Tenho que contar também uma que a Nanade aprontou para mim. Estamos casados há quase 7 anos (segunda feira é nosso aniversário de casamento) e todos sabem como é vida de casado. Os homens, caçadores por natureza, aprendem quais são os sinais que permitirão um ataque noturno às presas disponíveis. Isso tudo na verdade é um jogo. A Nanade sabe que se eu entrar no quarto imitando a dança sexy que o pombo faz para a pomba (or whatever), ela está perdida. O único amuleto dela contra esta infalível técnica de sedução é a placa dental, que é o sinal claro que daquele mato não sairá nem pensamento, quanto menos entrar. Um dia desses, cheguei em casa cheio de amor para dar e recebi logo um balde de água fria. Não adiantaria a dança do pombo, ou qualquer outro artifício, pois a placa estava lá. Perguntei, ainda num último ato desesperado. Princesa, verão, calor, malhação, jovens, casados, livres, juntos, sozinhos, isso não te remete a bons pensamentos? "Nem vem! Ontem eu me insinuei e você nem me ligou". Hein?! Você se insinuou para mim e eu amarelei? Eu disse não? Quando? Como? O que rolou? "É! Eu cheguei para você naquela hora e disse: amor, você está cheirando a pinga...". Silêncio no recinto, minha cabeça tentando processar as últimas palavras, eu podia ouvir meu cérebro tentando buscar qualquer conteúdo que fizesse sentido naquele momento. Princesa, foi isso? "Sim, era para você entender que era para ir tomar um banho e depois namorarmos". Minha nossa, estou lisonjeado. Esta foi a melhor cantada que já recebi na vida. Meus conceitos mudaram, qualquer coisa que ouvir a partir de hoje será motivo para ir tomar um banho. Andando no parque, "ihhh, amor acho que você pisou no cocô do cachorro". Só se for agora!!!!! Onde???!!!

Pessoal, quem estiver vindo do Brasil, me façam um favor de trazer uma garrafa de 51. Apesar de não beber, acredito que será muito útil para mim em terras canadenses.

Bonita, apesar disso tudo, você é a parte mais importante deste quebra-cabeça, o cuspe do meu selo, o óleo do motor, a atriz principal deste filme, o teflon da frigideira, o ar, o sal, a gota de chocolate, mas se me pentelhar I 'll have to show you my pimp hand.